terça-feira, 10 de setembro de 2019

10 de setembro - Vitória republicana na batalha do Seival

           O coronel João da Silva Tavares havia sido o único dos comandantes da Guarda Nacional a permanecer fiel ao Império. Era compadre de Bento Gonçalves, mas não aceitara o convite para conspirar e derrubar o presidente da Província. Ao contrário, foi dos primeiros a pegar em armas, em defesa das posições imperiais.
Antônio de Souza Netto e Silva Tavares - Fonte: Historia Ilustrada do Rio Grande do Sul | RBS
           Na primeira batalha no pampa, em 13 de outubro de 1835, Tavares comandou as tropas que impuseram uma derrota aos farrapos no combate do Arroio Grande, perto de Pelotas. Pouco depois, com o avanço das tropas farroupilhas por toda a Província, ele emigrou para o Uruguai.

           Mas agora, quando a Revolução completa um ano, Tavares retorna ao território brasileiro, "com alarido, como num passeio militar, chamando a atenção dos adversários". É o dia 9 de setembro de 1836. Ele segue às margens do Rio Jaguarão, no município de Bagé, território de António de Souza Netto, a figura mais respeitada das forças farrapas, depois de Bento Gonçalves.

           Tavares faz alto junto ao arroio Candiota. Netto sai ao seu encontro. Tavares posiciona suas tropas no topo da coxilha. Netto posta-se no baixio, depois de atravessar o arroio Seival. Segundo o historiador Othelo Rosa, Tavares tinha 560 homens e Netto, 430. Depois da primeira carga de fogo, as duas forças se atracam à lança e à espada. A vanguarda dos imperiais leva vantagem no primeiro embate. Mas um acidente desorganiza sua ação: quebra-se o freio do cavalo de Tavares, o animal dispara e causa enorme confusão entre os que lutavam. Refeitos, os homens ainda tentam reagir, mas o oficial que comanda o ataque é ferido na coxa, cai do cavalo e sua gente se dispersa.

            "Silva Tavares, completamente destroçado, deixa no campo 180 mortos, 63 feridos e mais de 100 prisioneiros", escreve Othelo Rosa. Não menciona as perdas de Netto. Segundo o historiador Tristão de Alencar Araripe, as baixas dos farrapos "foram mínimas".

            A vitória na Batalha do Seival foi tão completa, tão entusiasmante que Netto, instigado pelos liberais exaltados de seu exército, toma uma decisão dois dias depois, que vai dar outro rumo à rebelião. Ainda no acampamento, diante da tropa perfilada, ele proclama a República Rio-Grandense, separada do Brasil. Estava definido o caráter revolucionário do movimento farroupilha.

            O que levou Netto a proclamara República Rio-Grandense? Esse enigma, nenhum historiador desvendou. É verdade que ele ouviu sugestões de seus oficiais-entre eles, Lucas de Oliveira e Joaquim Pedro Soares - mas também é verdade que era homem de forte personalidade, que tomava decisões sem se influenciar. Além de ser republicano.

           Descrito como alto, elegante, na vida civil Netto era comerciante de gado e criador de cavalos de corrida, com amplo relacionamento nos dois lados da fronteira. Tinha 32 anos e era capitão da Guarda Nacional quando seu grande amigo Bento Gonçalves tomou o poder. Foi um dos primeiros generais da República. Nas batalhas, era um valente, que avançava à frente da tropa. "Melhor cavaleiro que Bento, só Netto", diria o italiano Giuseppe Garibaldi, que se incorporou aos farrapos mais tarde.

           Embora não seja incisivo, Rio-pardense de Macedo opina que, ao proclamar a República, Netto não foi levado apenas pelo entusiasmo da vitória em uma grande batalha. "Ele achava que o conflito com o Império era um caminho sem volta", diz.




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