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sexta-feira, 18 de junho de 2021

Grandes personagens - Olmira Leal, a 'Cabo Toco' completaria 119 anos

      O dia de hoje marca o nascimento de Olmira Leal de Oliveira, mais conhecida por CABO TOCO, em Caçapava do Sul, no longínquo ano de 1092. Filha de Francisco José de Oliveira e Auta Coelho  Leal de Oliveira. Casada com Antônio Martins da Silva. Não teve filhos. Morreu em Cachoeira, em 21/10/1989, aos 87 anos. Na década de 1920, integrou as fileiras da Brigada Militar, como combatente e enfermeira do 1º Regimento de Cavalaria, hoje 1º Regimento de Polícia Montada, sediado em Santa Maria. Participou dos movimentos revolucionários de 1923, 1924 e 1926. Incorporou em 1923 e só deixou a Brigada em 1932.

    Cabo Toco era uma apaixonada por queimar cartuchos, não se limitando apenas às atividades de apoio. Empunhando seu fuzil, lutava lado a lado com a mesma valentia dos demais soldados. 

     Depois de passar por várias batalhas com destaque de bravura, deixou a corporação em 1932. Ficou viúva em 1954, e passou a viver de pequena pensão deixada pelo marido. Mulher forte, guerreira, símbolo vivo da história do Rio Grande do Sul, sem descendentes, vivia em uma casa paupérrima na periferia de Cachoeira do Sul. Andava pelas ruas com sua velha carroça, cansada e sem rumo, carregando consigo a história que o povo não conhecia.

     Mesmo sendo considerada uma heroína, Cabo Toco só ficou conhecida depois que, em 1987, Nilo Bairros de Brum e Heleno Gimenez venceram a 5ª Vigília do Canto Gaúcho de Cachoeira do Sul com uma canção contando a sua história, na voz de Fátima Gimenez. Para a composição da letra, os autores tiveram que conquistar a sua confiança, para saber um pouco da sua trajetória de vida junto aos movimentos revolucionários, pois ela não gostava de falar do passado, e também tinha muita desconfiança com estranhos. Cabo Toco esteve presente na entrega da premiação da música, e viveu momentos de pura emoção ao ver sua vida contada em uma linda canção, apresentada para um grande público, que na sua maioria nem sequer sabia da sua existência.

     Cabo Toco, quando faleceu, recebia pensão vitalícia especial, correspondente ao cargo de 2º Sargento da Brigada Militar concedida havia poucos anos, por parte do Governo do Estado. Olmira Leal de Oliveira faleceu em 21 de outubro de 1989, em Cachoeira do Sul, e está sepultada no Cemitério Municipal de Caçapava do Sul. No dia de hoje, completa 119 de seu nascimento.

Fonte: Gazeta de Caçapava
Fátima Jovane Nunes (Caçapava Memória)

quinta-feira, 4 de março de 2021

Gildo de Freitas - Discografia

 (São Borja, 19 de junho de 2019 – Centenário do “Rei dos Trovadores”)                             
Discos de Gildo de Freitas (de 1964 a 1982)

Discos de 78 rotações na Continental
1-78.324 – História dos Passarinhos – Milonga (1964)
                  (Gildo de Freitas e Palmeira)
                  Conhecendo o Brasil – Rancheira
                  (Gildo de Freitas e Victor Sattanni)
2-78.327 – A Grande Perda do Brasil – Milonga (1964)
                  (Gildo de Freitas)
                  Acordeona – Arrasta-pé
                  (Gildo de Freitas e Milton José)

Discos em Longs-Plays (LPs)

1º LP:  O Trovador dos Pampas, Gildo de Freitas (1964)

2º LP: Gildo de Freitas, Vida de Camponês (1965)
 
(LP, “Gildo de Freitas, Vida de Camponês” (Continental, 1965) – Acervo de Marcelo Mangold)    

3º LP: Gildo de Freitas, O Desafio do Padre e o Trovador (1966)

(LP “O Desafio do Padre e o Trovador”  (Continental, 1966) – Acervo de Adailson José Neitzke)
     (Lançou esse 3º LP “O Desafio do Padre e o Trovador”, na Continental em 1966.

     O pesquisador Adailson Jose Neitzke, de Passo Fundo, possui o disco original. Na capa, tem uma caricatura do  Gildo, bem gaúcho, de bombacha, tirador, chapéu jogado às costas, tocando a cordeona. Também, a caricatura do padre Rubens, de óculos e batina preta. Ao fundo, árvores. Ao lado do Gildo, está o nome do artista plástico: C. Cunha.  Na contra capa, uma foto dos dois de trajes pretos em frente ao microfone: Gildo, de gaúcho, e o padre, de batina. Abaixo, num retângulo, com a seguinte inscrição: “Nesta foto aparece GILDO DE FREITAS em um desafio com o grande trovador PADRE RUBENS PILAR, a 12 de agosto de 1965, na Rádio Charrua – Uruguaiana – R.G.S.” 
     Depois, abaixo, tem outro retângulo de menor espessura, onde diz: “Produção 1966”, o que prova que esse disco foi lançado naquele ano. Ao lado esquerdo o desenho de uma mula preta, contendo no lado direito o nome do desenhista C. Cunha. Na vanera Mula Preta, que está na última faixa, ele diz que tem uma “mula preta que poucos gaúchos tem”, uma “chinoca que estimo e quero bem” e “a minha cordiona que quando toca apaixona certas chinocas de alguém”. E diz que a foto da mula está na capa do disco). 

4º LP: Gildo de Freitas e Sua Caravana (1968)

(LP “Gildo de Freitas e Sua Caravana” (Continental/Musicolor, 1968) – Acervo de Marcelo Mangold)

      (Depois de dois anos sem gravar, Gildo de Freitas, trouxe este 4º LP “Gildo de Freitas e Sua Caravana” (Continental, 1968).  Na capa, Gildo de Freitas ao lado de um pingo bem aperado. Julieta ao violão, Zezinho na gaita e outro violonista. Tem cinco parcerias de Gildo de Freitas com Zezinho:  Gaúcho Cantador, Caçador de Bom Gosto, Sentimento de Viúvo, Pingo Branco e Saudade de Vacaria. Estas são cantadas por Zezinho e Julieta, intercaladas com declamações de Gildo de Freitas. Uma parceria que deu certo. A dupla, também cantava muito bem. Grande parte das histórias das letras do Gildo são realidades, que foram vividas por ele mesmo! Mas, também gostava de contar histórias dos seus amigos, que lhe historiavam e ele passava para o papel). 

5º LP: “De Estância em Estância” (1969)

(LP “Gildo de Freitas, De Estância em Estância” (Continental, 1969) – Acervo de Marcelo Mangold)

     (No ano seguinte, 1969, ele lançou o 5º LP “De Estância em Estância” (Continental). 
    Na capa, Gildo, de camisa listrada, bombacha, lenço e chapéu brancos. Em frente à uma roda de carreta, caracterizando um tradicional meio de transporte do gaúcho).   

6º LP:  Gildo de Freitas – Dupla “Alegria dos Pampas” Zezinho e Julieta (1970)

(LP “Gildo de Freitas – Dupla “Alegria dos Pampas” Zezinho e  Julieta” (Continental/Caboclo, 1970) – Acervo de Marcelo Mangold)

     (Em 1970, conforme a coleção de discos, do pesquisador e músico Marcelo Mangold, Gildo de Freitas gravou dois LPs, o 6º e o 7º disco: “Gildo de Freitas – Dupla “Alegria dos Pampas” Zezinho e Julieta (Caboclo/Continental) e “Gildo de Freitas, Rei do Improviso” (Musicolor/Continental).
     Neste LP, “Gildo de Freitas – Dupla “Alegria dos Pampas” Zezinho e Julieta, no lado 2,  Zezinho e Julieta apresentam as seguintes composições: Vida de Tropeiro, Morena Arrependida e Matando a Saudade, de Gildo de Freitas e Zezinho.  Cachorro Abandonado, de Gildo, Zezinho e José Barcelos. Amor Correspondido, de Zezinho e Darcy Reis Nunes).

7º LP:  “Rei do Improviso – Gildo de Freitas”  (1970)

(LP “Rei do Improviso – Gildo de Freitas” (Continental/Musicolor, 1970) – Acervo de Marcelo Mangold)

  (No LP “Rei do Improviso”, Gildo, de bombacha, lenço, pala e chapéu brancos. Camisa listrada de preto e branco. De bota preta. A gaita cromática no chão ao lado). 

8º LP: “Gildo de Freitas”  (1972)

(LP “Gildo de Freitas” (Continental/Musicolor, 1972) – Acervo de Marcelo Mangold)

   (O 8º LP “Gildo de Freitas” (Continental) foi gravado em 1972, conforme a coleção de Marcelo Mangold. Na capa,  Gildo, de camisa branca, listrada de preto. Chapéu e lenço brancos).

9º LP: “Gildo de Freitas e Seus Convidados”  (1975)

(LP “Gildo de Freitas  e Seus Convidados” (Continental, 1975)  - Acervo de Marcelo Mangold)

       (Neste 9º LP “Gildo de Freitas e Seus Convidados” (Continental, 1975) tem o Gildo todo de branco. À esquerda do Gildo estão os Irmãos Vargas. À direita do Gildo, o Zé Mineiro e os Coroas. Estão na porta em frente a um prédio). 

10º LP: “O Ídolo, Gildo de Freitas” (1975)

(LP “O Ídolo, Gildo de Freitas” (Continental/Musicolor, 1975 – Acervo de Marcelo Mangold)

     (No 10º LP “O Ídolo, Gildo de Freitas” (Continental, 1975). Gildo, de bombacha e colete brancos. Está assegurando o chapéu branco. Camisa estampada. A gaita ao lado, em cima de uma mesinha. Na frente uma árvore com flores). 

11º LP: “Gildo de Freitas e Os TaytasGauchadas de Sul a Norte” (1976)

(LP “Gildo de Freitas e Os Taytas – Gauchadas de Sul a Norte (Continental/Musicolor, 1976) – Acervo de Marcelo Mangold)
      (O LP 11º “Gildo de Freitas e Os Taytas – Gauchadas de Sul a Norte”          (Musicolor/Continental, 1976).  Na capa, Gildo, de bombacha, camisa e chapéu brancos. Cinto preto e lenço vermelho. Os componentes de Os Taytas, de bombachas pretas, camisas brancas e lenços vermelhos.  Aliás, este é o único LP em que o Gildo está de lenço vermelho, acompanhando os demais artistas - todos de lenços maragatos. Tem um, a cavalo. Do lado do Gildo, uma mulher, que é a trovadora Lina Rodrigues, de Portugal, que está no disco, com participação em um desafio).       

12º LP: “Gildo de Freitas” (1979)

(LP “Gildo de Freitas” (Continental, 1979) – Acervo de Israel Lopes)

     (No 12ª LP, “Gildo de Freitas”  (Continental, 1979) tem o Gildo, gaúcho, todo de branco. Bombacha, camisa branca com punhos pretos. Colete e chapéu também brancos. Cinto preto com uma volta branca e faixa preta, executando o violão. Já andava muito doente. Por isso, ele tinha parado com a gaita. Instrumento pesado, enquanto que o violão era mais leve. Direção e Produção deste disco: Airton dos Anjos).

13º LP: “Gildo de Freitas – Mais Sucessos” (1980)

(LP “Gildo de Freitas – Mais Sucessos (Sertanejo/Chantecler, 1980) – Acervo de Marcelo Mangold)

     (No 13º LP “Gildo de Freitas Mais Sucessos” (Chantecler-Sertanejo, 1980).  Na capa,  Gildo, camisa branca, pala roxo, chapéu e lenço pretos. Está servindo o chimarrão. Este LP teve a Direção e Supervisão Geral de Braz Baccarin).

14º LP:  “Gildo de Freitas, O Rei dos Trovadores” (1981)

(LP “Gildo de Freitas, O Rei dos Trovadores” (Sertanejo/Chantecler, 1981) - Acervo de Marcelo Mangold) 

      (O 14º LP “Gildo de Freitas, O Rei dos Trovadores” (Chantecler/Sertanejo, 1981). Gildo de Freitas sentado numa cadeira. De calça social, colete, sapato e chapéu brancos. Camisa escura de punhos brancos. Está pegando um  mate chimarrão que lhe foi alcançado por sua esposa, dona Carminha. 
      Ao lado, sentada num pelego aparece uma criança, também tomando chimarrão. Este LP tem a direção e produção do Leonir.  Músicos participantes Os Mirins:  Albino Manique, no acordeão, Oscar Soares e Jorge Fagundes, nos violões, Francisco Castilhos, no contra-baixo e cavaquinho, e Teixeira Trindade, nos ritmos. Supervisão geral, Braz Baccarini e Coordenação de produção, Alberto Calçada).                            

15º LP: “Gildo de Freitas, Figueira Amiga” (1982)

(LP “Gildo de Freitas, Figueira Amiga” (Chantecler, 1982) – Acervo de Marcelo Mangold)

   (No 15º LP “Gildo de Freitas, Figueira Amiga” (Chantecler, 1982). Na capa,  Gildo cortando um fumo. De camisa branca, com punhos pretos, colete e chapéu brancos. Lenço preto. Está ao lado de uma estrondosa figueira.  Direção e produção do Leonir). 
           
Pesquisa: Israel Lopes
Advogado, Pesquisador
Escritor e Historiador

sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

O centenário de Josué Guimarães

 

    Josué Marques Guimarães nasceu em São Jerônimo, no dia 7 de janeiro de 1921, e é considerado um dos maiores escritores brasileiros do século XX. No ano seguinte (22) sua família mudou-se para Rosário do Sul, onde seu pai, um pastor da Igreja Episcopal Brasileira, exercia as funções de telegrafista. Após a Revolução de 30 sua família foi para a capital, onde Guimarães prosseguiu os estudos primários, completando o curso secundário no Ginásio Cru­zeiro do Sul, mesma escola onde estudou o escritor Erico Verissimo. Ali funda o Grêmio Literário Humberto de Campos, participando ativamente na redação de artigos para o jornal da escola e, igualmente, na produção de textos teatrais que, a cada final de ano, passam a ser encenados na escola. Forma-se em 1938, no curso secundário (hoje ensino médio), prestando em seguida exames para a Faculdade de Medicina, a qual não o entusiasmou muito. 

     Em 1939 foi para o Rio de Janeiro onde, no Correio da Manhã, iniciou-se na profissão de jornalista, que exerceria até o final da sua vida. Com a entrada do Brasil na Segunda Guerra, voltou para o Rio Grande, onde concluiu o curso de oficial da reserva, sendo designado para servir como aspirante no 7° R.C.I. em Santana do Livramento. Casou-se em 1940.

     Em 1944, de volta à imprensa no Diário de Notícias, seguiu na carreira que o faria passar pelos principais jornais e revistas do país. É nesse jornal que o escritor manteve uma coluna assinada sob o pseudônimo de D. Xicote, a qual tinha por característica principal dar um tratamento irônico aos acontecimentos políticos da época. O próprio Josué se encarregava da elaboração das ilustrações, dos desenhos e das caricaturas da coluna. Trabalhou em inúmeras funções, de repórter a diretor de jornal, passando por secretário de redação, colunista, comentarista, cronista, edi­to­rialista, ilustrador, diagramador e repórter político. Em 1948, deixou o Diário de Notícias para exercer a função de repórter exclusivo e correspondente da revista O Cruzeiro no Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Uruguai e Argentina.

      Em 1956, trabalhou como redator da agência de propaganda MPM. Em meio a essa atividade, continuou, em momentos de recolhimento, com a produção de contos e crônicas. Em 1957, foi chamado por Assis Chateaubriand ao Rio de Janeiro para reestruturar o vespertino carioca Diário da Noite, órgão dos Diários Associados.

     Sua obra – escrita em pouco menos de 20 anos – destaca-se como um acervo importante e fundamental. Democrata e humanista ferrenho, Josué Guimarães foi sistematicamente perseguido pela ditadura e os poderosos de plantão, mantendo uma admirável coerência que acabou por alijá-lo do meio cultural oficial. Depois de Erico Verissimo é, sem dúvida, o escritor mais importante da história recente do Rio Grande e um dos mais influentes e importantes do país. A ferro e fogo I (Tempo de Solidão) e A ferro e fogo II (Tempo de Guerra) – deixou o terceiro e último volume (Tempo de Angústia) inconcluso – são romances clássicos da literatura brasileira e sua obra-prima, as únicas obras de ficção realmente importantes que abordam a saga da colonização alemã no Brasil. A tão sonhada trilogia, que Josué não conseguiu concluir, é um romance de enorme dimensão artística, pela construção de seus personagens, emoção da trama e a dureza dos tempos que como poucos ele soube retratar com emocionante realismo. Dentro da vertente do romance histórico, Josué voltaria ao tema em Camilo Mortágua, fazendo um verdadeiro corte na sociedade gaúcha pós-rural, inaugurando uma trilha que mais tarde seria seguida por outros bons autores.

Josué Guimarães morreu no dia 23 de março de 1986.

1921 - 2021 | Centenário do nascimento de Josué Guimarães

Obras publicadas:

Os Ladrões – contos (Ed. Forum), 1970
A Ferro e Fogo I (Tempo de Solidão) – romance (L&PM), 1972
A Ferro e Fogo II (Tempo de Guerra) – romance (L&PM), 1973
Depois do Último Trem – novela (L&PM), 1973
Lisboa Urgente – crônicas (Civilização Brasileira), 1975
Tambores Silenciosos – romance (Ed. Globo – Prêmio Erico Verissimo de romance), 1976 – (L&PM), 1991
É Tarde Para Saber – romance (L&PM), 1977
Dona Anja – romance (L&PM), 1978
Enquanto a Noite Não Chega – romance (L&PM), 1978
O Cavalo Cego – contos (Ed. Globo), 1979, (L&PM), 1995
O Gato no Escuro – contos (L&PM), 1982
Camilo Mortágua – romance (L&PM), 1980
Um Corpo Estranho Entre Nós Dois – teatro (L&PM),1983
Amor de Perdição – romance (L&PM), 1986

Infantis (todos pela L&PM):

A Casa das Quatro Luas – 1979
Era uma Vez um Reino Encantado – 1980
Xerloque da Silva em “O Rapto da Dorotéia” – 1982
Xerloque da Silva em “Os Ladrões da Meia-Noite” – 1983
Meu Primeiro Dragão – 1983
A Última Bruxa – 1987
Fonte L&PM Editora

sábado, 9 de março de 2019

Grandes vultos da história - João Simões Lopes Neto

          Me diga ai, as vezes tu não te deprime por que algo não deu certo na tua vida? Apostou em um empreendimento e ele deu errado, em um amor que se foi, em um investimento perdido... Ah, quanta coisa. Pois vou contar a vosmecê sobre um cuera chamado João Simões Lopes Neto, que se vivo fosse, estaria completando hoje, 154 anos.

           Filho dos pelotenses Capitão Catão Bonifácio Simões Lopes e Teresa de Freitas Ramos, ele era neto paterno do Visconde da Graça, João Simões Lopes, e de sua primeira esposa, Eufrásia Gonçalves Vitorino. Nasceu em Pelotas, no dia 9 de março de 1865, na estância da Graça, propriedade de seu avô paterno. Era membro de uma tradicional família pelotense, e possuía ancestrais portugueses, de origem tanto açoriana como continental, tendo seus antepassados emigrado para o Brasil em busca de melhores condições de vida.
Personagem Blau Nunes, dos Contos Gauchescos (Filme)

           Simões Lopes Neto, um jovem empreendedor, envolveu-se em uma série de iniciativas de negócios que incluíram uma fábrica de vidros, importou abelhas da Argentina e montou uma destilaria. Porém, os negócios fracassaram. A Revolução Federalista, de 1893 abalou duramente a economia local. Depois disso, construiu uma fábrica de cigarros, cuja marca dos produtos, fumos e cigarros, recebeu o nome de "Diabo", o que gerou protestos de uma cidade religiosa e presa à costumes do seculo XIX. Sua audácia empresarial levou-o ainda a montar uma firma para torrar e moer café, e desenvolveu uma fórmula à base de tabaco para combater sarna e carrapatos. Ele fundou ainda uma mineradora, para explorar prata em Santa Catarina.

           Dedicou-se, ainda que sem sucesso, a uma obra para a Reforma Ortográfica, onde via necessidade de mudanças mas, o Ministério da Educação ao rejeitou a proposta de Lopes Neto, na voz de um senador, que determinou ser absurda a ideia de trocar o –ch por –qu (como por exemplo: machina por máquina) ou ainda phosphoro, pharmacia, trocarem o –ph por –f.
A princesa Moura, do conto: A Salamanca do Jarau

           A luta pela subsistência seria travada nas redações dos jornais provincianos entre 1895 e 1913, onde  manteve a coluna "Balas d'Estalo", no Diário Popular. De 1914 a 1915 ocupou a direção do Correio Mercantil e, finalmente, em 1916, ano de sua morte, voltou para "A Opinião Pública" com a coluna "Temas Gastos". Escreveu, também, muitas peças teatrais, como: O boato (1894), Mixórdia (1894) e Viúva Pitorra (1898), esta última, uma opereta.

          Ao assumir o Correio Mercantil evou consigo o livro que estava concluindo, "Casos do Romualdo", e publicou-o em 'folhetins' nesse periódico. Esses “causos” lhe foram relatados pelo próprio Romualdo de Abreu e Silva, amigo da família. Se os “Contos Gauchescos” foram a sua obra fundamental, o seu engenho de escritor floresce nas "Lendas do Sul". O escritor faleceu no dia 13 de junho de 1916, em Pelotas, aos 45 anos, deixando inacabada sua obra “História do Rio Grande”.

Obras de Lopes Neto:
Cancioneiro Guasca (1910);
Contos Gauchescos (1912)
Lendas do Sul (1913);

Casos do Romualdo (1914, mas publicada em 1952);
Terra Gaúcha (Publicada em 1955)

terça-feira, 17 de julho de 2018

35 anos sem Glaucus Saraiva

Glaucus Saraiva, ao centro, com Guilherme Schultz Filho(E) e Edson Otto(D)
           O tempo passa. E passa rápido. Foi num 17 de julho de 1983, que nos deixava Glaucus Saraiva da Fonseca. Nascido em São São Jerônimo, em 24 de dezembro de 1921, se fosse vivo, estaria fazendo, este ano, 97 anos.

            Glaucus foi um poeta crioulo, autor da poesia famosa, Chimarrão, soldado do tradicionalismo, folclorista, historiador, professor, pesquisador, escritor, conferencista, músico e compositor. Foi sócio fundador da Estância da Poesia Crioula e do 35 Centro de Tradições Gaúchas, do qual foi o primeiro patrão. Idealizou e tornou realidade o IGTF - Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore, órgão vinculado a Secretária de Estado da Cultura, instituído pelo Decreto n.º 23.613, de 27 de dezembro de 1974, tendo sido seu primeiro diretor técnico, o Parque Histórico General Bento Gonçalves da Silva, na Estância do Cristal e o Galpão Crioulo do Palácio Pirati, que pelo Decreto Estadual nº 31.204, de 1º de agosto de 1983, passou a chamar-se Galpão Gaúcho Glaucus Saraiva

           Foi professor de folclore do curso de Pós-Graduação da Faculdade de Música Palestrina, professor no Curso de Extensão Universitária da PUC (Folclore na Educação) e no SENAC (Culinária Gauchesca e Usos e Costumes do Sul), e conferencista internacional sobre folclore. Presidiu três congressos tradicionalistas: em Santa Vitória do Palmar (1973), Pelotas (1975) e Passo Fundo (1977). Desenvolveu, também, profunda pesquisa sobre os brinquedos tradicionais das crianças gaúchas, promovendo exposições e publicações a este respeito. Formulou a Carta de Princípios do MTG - Movimento Tradicionalista Gaúcho, o mais importante documento para a fixação da ideologia e dos compromissos tradicionalistas, aprovada no 8º Congresso Tradicionalista, em julho de 1961 em Taquara - RS. Autor da nomenclatura simbólica do tradicionalismo.

     Publicou ainda os ensaios “Manual do Tradicionalista” e “Catálogo da Mostra de Folclore Juvenil”. Foi vocalista dos conjuntos “Os Gaudérios” e “Quitandinha Serenaders” entre 1950 e 1955, além de atuar na Rádio Farroupilha e Rádio Nacional do Rio de Janeiro, de 1948 a 1955.

Fonte: Blog do Leo Ribeiro

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Grandes personagens da história - Apolinário Porto Alegre

          Apolinário Porto Alegre nasceu na cidade de Rio Grande, RS, em 29/8/1844, filho de Antônio José Gomes e de Delfina Joaquina da Costa Campello. Seu pai, tendo um homônimo em Rio Grande, acrescentou Porto Alegre ao nome a fim de evitar maiores confusões.
          Em plena da guerra do Paraguai (1865-70) Porto Alegre fervilhava culturalmente, as bandas militares tocavam na retreta da Praça da Alfândega. No teatro São Pedro, inaugurado em 1858, iam à cena dramas franceses, números de mágicas. Editava-se o jornal literário Atualidade com colaborações de Apolinário.
          Juntamente com um grupo de republicanos e liberais funda, no dia 18 de junho do ano de 1868, na cidade de Porto Alegre, a Sociedade Pártenon Literário, de caráter romântico e regionalista. A Sociedade começou a publicar, em 1869, um periódico intitulado "Revista Mensal". Foi neste periódico que Apolinário Porto-Alegre começou a publicar seus primeiros trabalhos, como romances, contos, críticas, poesias, peças de teatro, etc. A Sociedade durou até o ano de 1880.Contava como sócio José Antônio do Vale Caldre e Fião (1821-76), Hilário Ribeiro (1847-86), Luciana de Abreu (1848-80), Afonso Marques (1847-72), Aquiles Porto Alegre (1848-1926), Francisco Antunes Ferreira da Luz (1851-94), Damasceno Vieira (1850-1910), Amália dos Passos Figueiroa (1845-78), João Lobo Barreto (1853-75), Aurélio Veríssimo de Bittencourt (1849-1919), Teodoro de Miranda (1852-1879), Apeles Porto Alegre (1850-1917), Bernardo Taveira Júnior (1795-1872), José de Sá Brito (1844-90), Menezes Paredes (1843-81), Francisco de Sá Brito (1808-75) e Carlos Von Koseritz (1834-90), entre outros.
          Em 1870 terminou a Guerra do Paraguai, a cidade de Porto Alegre crescia pela Cidade Baixa e em torno da Capela do Menino Deus. Viajava-se de barco, desde o trapiche no Centro até o que ficava no Menino Deus, na atual Avenida José de Alencar. Ou em então de carro de tração animal pela estrada da Várzea, seguindo depois pela Avenida Princesa Isabel (Getúlio Vargas). No ano de 1889, após a proclamação da república no Brasil, Apolinário Porto-Alegre se alia à Silveira Martins que lutava contra o governo do marechal Deodoro da Fonseca.
          Após o contragolpe vitorioso de Júlio de Castilhos em junho de 1892, Apolinário foi preso no mês seguinte, junto com outros opositores, e libertado alguns dias depois. No jornal “A Reforma” iniciou forte campanha contra o governo. No entanto, teve que se refugiar em Santa Catarina e em Montevidéu, devido as perseguições impostas pela Revolução Federalista, de 1893. Retornou ao Rio Grande com a pacificação, em 1895, onde continuou a trabalhar como jornalista.

          Enfrentando problemas financeiros extremos, faleceu no ano de 1904, na Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, vítima de tuberculose.