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quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

Raízes de Santo Antônio da Patrulha lança seus livros, dia 29.

 

     A comissão organizadora do 30º Raízes de Santo Antônio da Patrulha e IV Raizinha convida para o lançamento dos Livros do evento. Infelizmente, em função do momento delicado que estamos vivendo em função da pandemia do coronavírus, não será realizado um evento presencial. "Para tanto, convidamos a participar através da página oficial da Prefeitura Municipal de Santo Antônio da Patrulha, no dia 29 de dezembro, a partir das 20 horas, o lançamento oficial das obras! Em anexo, convite oficial. Fraterno abraço a todos, com o desejo de um feliz e abençoado Natal e próspero Ano Novo, com muita saúde!" - Milena Mohr.

    Valter Fraga Nunes e Marco Aurélio Angeli, o Zoreia, apresentarão três artigos:

1- PASSO DAS TROPAS DE GADO NO RIO DOS SINOSSANTO ANTÔNIO DA PATRULHA/RS (SÉCULO XVIII).

2- CAMINHO DA PRAIA – VESTÍGIOS EM CAPÃO DA CANOA/RS: PATRIMÔNIO A SER PRESERVADO, em parceria com Cátia Cirlene Pereira Gomes.

3- PROJETO TROPEIRISMO NAS ESCOLAS, em parceria com Lucila Maria Sgarbi Santos.

terça-feira, 8 de dezembro de 2020

Valter Fraga Nunes apresenta o livro: "Tropeirismo: o pouso da Cruz Alta e os caminhos da integração nacional"

 

     "É com grande prazer que apresento "Tropeirismo: o pouso da Cruz Alta e os caminhos da integração nacional". Mais uma obra para somar a este tema interessante. Agradeço ao grande amigo Rossano Cavalari e Sandra Denise Paula de Souza pela participação com sugestões na formatação e conteúdos propostos nesta obra" - escreveu Fraga Nunes em seu facebook oficial. 

  O Prefácio da obra é de Lucila Maria Sgarbi Santos, expoente do Tropeirismo Internacional e Coordenadora do Seminário Nacional e Encontro do Cone Sul sobre Tropeirismo - SENATRO.

Como Adquirir o Livro:

1- Livraria Martins Livreiro, Rua Riachuelo, 1300, Porto Alegre/RS.

2- Diretamente com os autores: Rossano Cavalari - rossonocavalari@gmail.com / https://web.facebook.com/rossano.cavalari.3 / whatsApp 55 8134 7842. Sandra Denise Paula de Souza - sandragestao474@gmail.com .

segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Vem ai, em 2020, o 15º Seminário Nacional de Tropeirismo

            O SENATRO busca contextualizar os estudos culturais do tropeirismo na história do Rio Grande do Sul, do Brasil e do Cone Sul, integrando-os aos estudos já existentes, bem como promover novas discussões sobre o tema, visando o aproveitamento do potencial turístico do tropeirismo.

      O público alvo é professores e alunos do curso de Magistério e dos Cursos de Graduação em História, Geografia e Letras; arquitetos, historiadores, turismólogos, antropólogos, geógrafos, folcloristas, filólogos, sociólogos, arqueólogos; trabalhadores e sócios de museus e arquivos; Institutos Históricos e Geográficos; pesquisadores; estudiosos interessados no assunto; profissionais da imprensa em geral e empreendedores turísticos e culturais.

quinta-feira, 18 de abril de 2019

Tropeirismo em Chapecó terá Valter Fraga Nunes e Zoreia, dia 24 de abril

Ingresso: Uma caixa de leite, que será doada ao Programa Viver
Programação:
18h45: Recepção e visitação a exposição fotográfica "Entre trilhas e caminhos: a importância do tropeirismo no desenvolvimento de Chapecó".
19h15: Abertura com declamação de Poesia Tropeira.
19h30: Apresentação dos resultados do projeto " Entre trilhas e caminhos: a importância do tropeirismo no desenvolvimento de Chapecó".
19h45: Exibição de documentário sobre tropeirismo.
20h25: Palestra com os pesquisadores Valter Fraga Nunes e Marco Aurélio Angeli, sobre o tropeirismo no Brasil e na região sul.
21h15: Coquetel 

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Exposição Tropeirismo, Tropas e Tropeiros no 5º FEGADAN

            Mais uma vez Marco Aurelio Angeli, o Zoreia e Valter Fraga Nunes mostraram todo seu conhecimento para esta mostra do tropeirismo que aconteceu dias 13 e 14 de outubro, em Canoas, por ocasião do FEGADAN. Eles foram curadores da exposição tropeirismo, tropas e tropeiros durante o evento que foi realizado na 12ªRT. É possível vislumbrar pelas imagens o material que foi exposto pelos tropeiros durante a realização de um evento cuja origem é dentro deste tema.

             Além disso, no mesmo final de semana aconteceu o Tchêncontro da Juventude e Acampamento, o que oportunizou para os jovens que não conseguiram participar de palestras na semana farroupilha sobre esta temática, aprender um pouco mais com estes dois mestres.

domingo, 5 de agosto de 2018

O sucesso do Seminário de Tropeirismo, no CTG Bento Gonçalves, em Lajeado

Um dia para se reencontrar com as raízes e com as origens regionais em um evento que esbanjou simpatia de dois tropeiros que só querem dar o melhor de sí para instigar os jovens à pesquisar

Nas imagens Valter Fraga Nunes e Marco Aurélio Angeli, o Zoreia, palestram sobre Tropas, tropeiros e tropeirismo
            Quando se fala em seminário, logo o pessoal pensa que é uma "palestrinha", ir no evento pra pegar um certificado. Com esses tropeiros, quem pensa assim, não se cria. O seminário de Tropeirismo que fizeram neste sábado, dia 04, em Lajeado, manteve o público atento do inicio ao fim. Teoria, prática, mostra de animais, como funcionam e pra que servem as traias, tudo feito com tanto carinho que a cada depoimento podia-se ver a emoção tomando conta do palestrante.
             Com a ajuda de Davi Musskopff, do CTG Caminhos da Serra, de Marques de Souza, os tropeiros levaram uma égua, uma mula, um burro e um jumento para mostrar e diferenciar frente ao público. Além de tudo, Valter Fraga Nunes explicou sobre a diferença dos cruzamentos dentro da grande família dos Equídeos (Equinos, Asininos, zebrinos).
              Pela manhã Nunes palestrou sobre os caminhos dos tropeiros, diferenciou épocas, ciclos e fases. Falou do tropeirismo no seculo XVII - das vertentes no âmbito regional voltado para a Vacaria do Mar, a atuação do padre Cristóvão de Mendonça (1634).E do tropeirismo de ‘gado-em-pé’, promovido pelos índios jarós e charruas – “os índios cavaleiros” trazidos de Entre Rios, na Argentina, para o sul do rio Ibicuí (indo para as pradarias sulinas e a área da banda oriental). Apresentou mapas mostrando os Os 5 Grandes Caminhos – Caminho da Praia (do Mar); Caminho de Souza Farias (dos Conventos); Caminho do Viamão (do “Certão”, Real ou Viamão-Sorocaba); Caminho das Missões (Veredas das Missões) e Caminho da Palmas. Por estas rotas os tropeiros percorreram todos os Estados da Região Sul, Sudeste e parte do Centro-Oeste e Nordeste, além de países vizinhos como o Uruguai e Argentina. Os pousos onde permaneciam alguns dias se tornaram povoados, evoluindo mais tarde para grandes cidades. No meio destes caminhos se estabeleciam também posto de cobrança de impostos (Registros, pedágios).
Adolar Alves da Silva (abaixo a direita), do CTG Caminhos da Serra, de Marques de Souza se emocionou ao contar experiencias
               Na parte da tarde depois das demonstrações praticas do arreamento do animal pelo tropeiro Marco Aurelio Angeli, Nunes apresentou as danças do Tropeirismo Biriva (origem da palavra e variações) e, ainda, demonstrou passos e movimentos auxiliado pelos dois meninos que aprenderam no dia anterior. "É graças a vontade de aprender como demonstraram estes meninos que temos certeza que o esforço nunca é em vão" - Disse Zoreia, emocionado.
               Nunes ainda exigiu mais da plateia, não deixando que ficasse somente em suas falas. Passou o microfone para que as pessoas se manifestassem sobre o evento.

Os amigos Jeandro Garcia e Ewilin Ayres e a jornalista Liliane Pappen Bastos  prestigiaram o evento, em Lajeado
Liliane já foi prenda da 24ªRT no ano de 1996/1997 - Visitou sua antiga região

terça-feira, 31 de julho de 2018

Tropeirismo. O Burro e a Mula no folclore/parte II

Quem burro vai a Santarém, burro vai e burro vem - pessoa burra é burra e não tem remédio (ditado português).
Burro que muito zurra pede cabresto - zurrar é emitir zurros, que é a voz dos burros. Pedir cabresto significa, neste provérbio, pedir serviço.
Burro não amansa, se conforma - reforço da imagem do animal durão e teimoso.
Filho de burro pode ser lindo, mas um dia dá coice — Não é confiável.
Pela andadura da besta se conhece quem monta - constatação.
É na sela que o burro conhece o cavaleiro - constatação.
Pra burro só faltam as orelhas - forma irônica de chamar alguém de burro.
Burro velho se vende longe - expressa engodo, tapeação .
Trabalha como um burro - expressão comparativa de quem trabalha bastante.
Mais carregado que burro de mascate - expressão comparativa. Os "turcos" mascates andavam pelas estradas com seus animais carregados de badulaques.
Quem puxa carroça é burro - pessoa queixando-se de muito serviço.
Se amarra o burro à vontade do freguês - o freguês é que manda.
Do homem é o errar, do burro é teimar - comportamento.
Um burro com outro se coça — ajuda mútua
Mula só dá pinote debaixo de chicote - só vai na marra, na violência...
É melhor andar a pé do que em burro magro - alternativa, opção.
Arre! Arre! Burrico! El que nació para pobre, nunca hay de ser rico. (Ditado espanhol)
Empacado como uma mula - é o preguiçoso que não ata e nem desata.
O burro, por mais que disfarce deixa as orelhas de fora - Não dá pra esconder.
Ficar com cara de asno — ficar abobalhado.
Não gabe o burro, antes de passar a picada - não elogiar antes da hora.
Burro gosta de ouvir o seu zurro - querer ser o tal...
Se mudar a cor do capim, burro morre de fome - E mais uma referência injusta à folclórica burrice dos burros.

Luiz Antônio Alves e Sergio Coelho de Oliveira
livro:o linguajar tropeiro

Tropeirismo. O Burro e a Mula no folclore/parte I

              Segundo Luiz Antônio Alves e Sergio Coelho de Oliveira, em seu livro, o linguajar tropeiro, o burro e a mula pelo tempo que viveram ao lado do homem, servindo-lhe fielmente, são animais que mais aparecem no folclore, como personagens de palavras figuradas, ditados e provérbios. O que encontramos na "boca do povo"?

Burro - pessoa de pouca inteligência. Uma fama injusta, já que o burro é um animal inteligente.
Burro de carga — pessoa trabalhadora demais.
Metido à besta - é o cara que quer ser.
Caveira de burro - é azar.
Coice de mula — ação violenta e vigorosa.
Pai dos burros - dicionário.
Grande pra burro - expressão de grandeza.
Dar c'os burros nágua — ser mal sucedido.
Burro velho também gosta de capim novo — é o homem de idade se engraçando com menina nova.
Burro amarrado também pasta - é o homem casado que pula cerca.
Quando eu quiser falar com burro, bato na cangalha - é a advertência que se faz a um intrometido
Se ferradura desse sorte, burro não carregava carga — esse provérbio ironiza a crença de que ferradura dá sorte
Picar a mula — ir embora, partir,
Colocar o burro na sombra - acomodar-se.
Teimosa como uma mula - mulher teimosa.
De tanto pensar morreu um burro - advertência que se faz a uma pessoa, que demora em tomar uma decisão.
Burro velho não aceita freio - não adianta querer mudar os hábitos de uma pessoa de idade.
Burro velho não pega trote - significado idêntico ao anterior.
Quando um burro fala, o outro murcha a orelha - ditado dirigido às pessoas que se intrometem na conversa dos outros.
Não se deve confiar em mula tropeira e nem em mulher festeira -uma advertência.
Quem parte e reparte e não fica com a melhor parte é burro ou não tem arte — uma constatação.
Burro e carroceiro nunca entram em acordo - é uma crítica ao carroceiro, que é teimoso também.


sexta-feira, 20 de julho de 2018

Tropeirismo - Tema dos Festejos Farroupilhas do Rio Grande do Sul 2018

                     O papel do tropeirismo na formação do Rio Grande do Sul
Tropeiro - Jean Baptiste Debret,(1768-1848)

           O Tropeirismo foi fenômeno histórico que atravessou o Brasil Colônia, depois de passar pelo Império e chegar até a República. Ele sinalizou contornos fundantes e basilares da sua formação social, mais evidentes e determinantes no século XVII, tempo da arrancada da colonização portuguesa no espaço sulino (1737 – chegada do Brigadeiro José da Silva Paes).

          Segundo a professora Véra Lucia Maciel Barroso, o Tropeirismo tem momentos diversos que podemos classificar como: 

A) TROPEIRISMO NO SÉCULO XVII - O PRIMEIRO: Em duas vertentes no âmbito regional.
            É desta primeira corrente do tropeirismo, deste ciclo (do século XVII), 
voltado para a vacaria do mar, a atuação do padre Cristóvão de Mendonça que, a contar de 1634, trouxe, de Corrientes, tropas de cabeças de gado vacum e equino para as reduções jesuíticas (As da 1ª Fundação – dos 18 povos, entre 1626 e 1641). Essa ação animou a constituição de rebanhos nas comunidades missionadas, situadas nos vales baixos dos rios Ijuí e Piratini e nas áreas médias do Ibicuí e do Jacuí. Para tanto, foram abertos caminhos para o transporte de gado vacum, cavalar, asinino, muar, etc., processo interrompido pela ação bandeirante.
            Paralelamente, acontecia outro tropeirismo de ‘gado-em-pé’, promovido pelos índios jarós e charruas – “os índios cavaleiros”, especialmente de cavalos e mulas, trazidos de Entre Rios, na Argentina, para o sul do rio Ibicuí (indo para as pradarias sulinas e a área da banda oriental).

B) O Tropeirismo do seculo XVIII - Em quatro fases, sendo a última a do comércio de mulas com o centro do Brasil;

1ª - Tropeirismo guarani da Vacaria dos Pinhais: Entre os matos português e castelhano – áreas da grande Vacaria e grande Lagoa Vermelha. Em picada aberta, conduziam tropas em direção aos 7 povos das missões. Fase sustada com a vinda dos paulistas.

2ª - Tropeirismo Castelhano da Vacaria do Mar: voltado às campanhas do RS e Uruguai. Conduziam tropas para as estâncias e postos dos guaranis, como fizeram no séc. XVII. Contra essa prática dos índios manifestaram-se os tropeiros de Buenos Aires e de Santa Fé, e, também, lagunistas que ali se abasteciam.

3ª - Tropeirismo Litorâneo dos Lagunistas: É o da busca do gado na Vacaria do Mar pelo litoral. Também incursionavam campo adentro, na altura de Jaguarão e Camaquã, de onde iam para laguna. É dessa fase a frota de João de Magalhães que fomentou invernadas e estâncias.

4ª – Tropeirismo Paulista Pelo Planalto Oriental (Serra Geral do RS) com largos resultados e repercussões: Caminho dos conventos (Souza Faria em 1727/8); 
           E de seu melhoramento, em1732: é o caminho de Viamão ou de Cristóvão de Abreu, via Guarda Velha, em direção à serra e ao centro do Brasil – SÃO PAULO
            O alvo da 4ª fase foi a mula: Ouro Ambulante. 

            É a mercadoria que tinha condição de trânsito de longa distância. 
Vinha do norte da argentina, passando pelo litoral uruguaio, depois pelas capitanias do sul do brasil até São Paulo, onde os mineiros a compravam para transporte nas minas gerais.
             É com esta fase do tropeirismo do século XVIII que se inicia um capítulo novo da história do Brasil, através da incorporação do extremo-sul, como uma das decorrências do ciclo do ouro, em pauta no centro da economia colonial lusa. O tropeirismo passou a subsidiar as relações inter-regionais nesse processo
Material fornecido pela professora Vera Lucia Maciel Barroso

C) TROPEIRISMO: Do final do século XIX e do século XX

             Não foi um episódio político que inaugurou o RS, mas sim, o comércio da mula, através do tropeirismo praticado a contar do século XVIII, atravessando para o XIX: animando a fixação (os arranchamentos).
              No século XIX, a ocidentalização do tropeirismo de mulas promove o avanço para o oeste. outro destaque: gradativamente ocorreu a passagem da mula mercadoria “em pé”,  para a mula cargueira – transportadora de mercadorias.

domingo, 15 de julho de 2018

Tropeirismo - Mais um dia de aprendizado

No Açouta (ou Açoita) Cavalo, com os amigos Marco Aurélio Angeli e Valter Fraga Nunes

Pinhão na chapa, o último cincerro fabricado por um especialista e um delicioso café de cambona, ou de chaleira
          O ensolarado sábado, deste inverno de 2018, proporcionou um dia maravilhoso para grandes aprendizados. A localidade de Açoita Cavalo, divisa entre Rolante e Taquara, próximo ao Parque do RolanTchê, onde reside o tropeiro e ex-coordenador da 22ªRT, Marco Aurélio Angeli, o Zoreia, recebeu os jornalistas Rogério Bastos e Liliane Pappen Bastos e o casal Jeandro Garcia e Ewilin Ayres. Já na chegada foi oferecido um pinhão na chapa, um café de cambona (de chaleira, ao melhor modo Turco, com um tição em brasa) e um bolo tropeiro com torresmo, ovo e farinha.
          Desde cedo na lida, Zoreia e Valter Fraga Nunes, passaram a ensinar os manejos para os atentos espectadores que, depois, forma para a pratica. Os experientes tropeiros explicaram as peças, mostraram como funciona e para que serve cada utensilio. O almoço (as 14h) teve aipim salada de radiche com tomate seco, da horta do Zoreia, e uma linguiça de carne de porco, cortada a faca e feita no fogão a lenha, por ele também.
           Na parte da tarde, depois do almoço teve passeio de carroção e as últimas gravações. Mas o trabalho não termina por ai. Quarta-feira a dupla tem mais gravação pela frente. Logo, logo este material será disponibilizado em forma de websérie pela internet.

           Ao lado do amigo Jeandro Garcia tivemos a oportunidade de experimentar o arreamento de muares. Aprender o uso da cangalha, peitoral (diferente da peiteira do cavalo), as bruacas, arreata, o Ligal (peça de couro cru com o qual se cobre as cargas dos animais), e do tranca-fio (tira de couro).

      os causos contados à beira do fogo, pelo Zoreia, enquanto mateávamos, alegrou o ambiente. Foram muitas risadas nos longos momentos de descontração e alegria com os amigos (nem lembramos da disputa de 3º e 4º lugares da Copa do Mundo). A grande parceria da Liliane e da Ewilyn que deram a maior força para que o encontro transcorresse como foi. Em pouco tempo teremos uma web série com dicas para que os Piquetes e CTGs se organizem para os festejos farroupilhas.

sexta-feira, 13 de julho de 2018

CTG Caminhos da Serra terá palestra sobre Tropeirismo, com Valter Fraga Nunes e o Zoreia

A região inteira tem que aproveitar este momento. Muitos deixam para levar depois o palestrante, mas a agenda destes dois é muito cheia e pode algumas cidades ficarem sem a atividade e sem o conhecimento que eles levam. Não perca!!!

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Tropeirismo - Obras complementares documentais ilustrativas

por Valter Fraga Nunes e Zoreia

CHAMBERLAIN, Henry, Vistas e Costumes da Cidade e arredores de Rio de Janeiro em 1819-1820 (Views and Costumes of the City and Neighbourhood of Rio de Janeiro,. Londres: 1821). Rio de Janeiro/São Paulo: Livraria Kosmos Editora, 1943. Disponível em: http://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/227375 .

DEBRET, Jean Baptiste, Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil. Belo Horizonte: Editora Itatiaia Ltda.; São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1989. (Coleção Reconquista do Brasil. 3ª série especial, vols.7, 10, 11 e 12). Disponível também em: https://digital.bbm.usp.br/handle/bbm/3813, https://digital.bbm.usp.br/handle/bbm/3802 e https://digital.bbm.usp.br/handle/bbm/4716 .

ENDER, Thomas, Viagem ao Brasil nas Aquarelas de Thomas Ender. Kapa Editorial, 2000, 3 Vols.

LAGO, Pedro Corrêa do, Iconografia Paulistana do Século XIX. São Paulo: Metalivros, 1998.

LALAISSE, François Hyppolite, Maquignons Paulistes ("Tropeiros Paulistas"/"Paulista Muleeters") – 1838. Disponivel em: http://www.antique-prints.de/shop/Media/Shop/13379_wm.jpg

________, Paulistes ("Paulistas") – 1838. Disponível em: http://www.antique-prints.de/shop/Media/Shop/13360_wm.jpg 

LANDSEER, Charles, Desenhos e aquarelas de Portugal e do Brasil. São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2010.

LUDWIG, Pedro, BRIGGS, Frederico Guilherme, Lembranças do Brasil (Fac-símile de: The Brazilian souvenir: a selection of the most peculiar costumes of the Brazils). Rio de Janeiro: Biblioteca Nacional, 1970.

RUGENDAS, Johan Moritz, Viagem Pitoresca Através do Brasil. Belo Horizonte: Editora Itatiaia Ltda.; São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1989. (Coleção Reconquista do Brasil. 3ª série especial, vol.8).

TAUNAY, Aimé-Adrien, Rico habitante de São Paulo conduzindo suas mulas carregadas de açúcar (1825). In: Expedição Langsdorff ao Brasil (1821 a 1829). Rio de Janeiro: Edições Alumbramento, vol. 2, 1988.

TEIVE, Joaquim Lopes de Barros Cabral, Costumes brasileiros. 1840-1841. Disponível em: http://www.brasilianaiconografica.art.br/obras/rel_content_id/19094/joaquim-lopes-de-barros-cabral-teive

sexta-feira, 29 de junho de 2018

Tropeirismo - Bibliografia recomendada por Valter Fraga Nunes


Em primeira mão, para aqueles que fazem acontecer a semana farroupilha no RS. Bibliografia de apoio.

            Existem muitas outras publicações sobre o Tropeirismo que também podem ser consultadas, mas acreditamos que estas poderão dar uma ideia inicial e geral sobre este tema. Cuidado com artigos colocados na internet! Nem sempre são de fontes confiáveis.

ALMEIDA, Aluísio de, O Tropeirismo e a Feira de Sorocaba. Sorocaba: Luzes Gráfica e Editora, 1968.
________ Vida e Morte do Tropeiro. São Paulo: Martins, 1971.

ALVES, Luiz Antônio, OLIVEIRA, Sergio Coelho, Linguajar Tropeiro. Porto Alegre: Evangraf, 2012, 136 p.

ALVES, Luiz Antônio, ALVES, Sandra Maria Schmith, Cidades Tropeiras: Região Sul do Brasil. Porto Alegre: Evangraf, 2018, 72 p.

BARBOSA, Cristiano Silva, Tropeirismo biriva: história, canto e dança. Antônio Prado, RS, C.S.B., 2016, 92 p.

BARROSO, Véra Lucia Maciel, O Tropeirismo na Formação do Sul. In: História Geral do Rio Grande do Sul. OLIVEIRA, Nelson; GOLIN, Tau (Coord.). Passo Fundo, RS: Méritos, 2006, p. 171 – 187.

BARROSO, Véra Lucia Maciel, SANTOS, Lucila Maria Sgarbi, VELHO, Adenair Pereira, MADEIRA, Jussara Lisbôa, LEMOS, Maristela Lemos, Bom Jesus e o Desenvolvimento do Tropeirismo nos Caminhos do Cone Sul. Porto Alegre: Companhia Rio-Grandense de Artes Gráficas (CORAG), 2012, 496p.

CORTES, João Carlos Paixão, Danças Tradicionais Rio-Grandenses (Achegas). Passo Fundo: Gráfica e Editora Padre Berthier, 1994, 139 p.

________, Tropeirismo Biriva: Gente, Caminhos, Danças e Canções. 1999, 60 p.

________, Danças Birivas do Tropeirismo Gaúcho. 2010, 56 p. disponível também em: http://www2.al.rs.gov.br/biblioteca/LinkClick.aspx?fileticket=ksUNywbXk78%3D&tabid=5281

FILIPAK, Francisco, Tropeirismo Platino-Peruano & Platino-Brasileiro. Curitiba: Juruá, 2008, 176 p.

FONSECA, Pedro Arí Veríssimo da, Tropeiros de mula: a ocupação do espaço, a dilatação das fronteiras. 2.ed. Passo Fundo: Gráfica Editora Berthier, 2014. 216 p.

GOULART, José Alípio, Tropas e Tropeiros na Formação do Brasil. Rio de Janeiro: Conquista, 1961.

JÚNIOR, Alfredo Ellis. O Ciclo do Muar. Revista de História, São Paulo, v.1, p. 73-81,1950. Disponível também em: http://www.revistas.usp.br/revhistoria/article/view/34820

PONT, Raul, Campos Realengos: Formação da fronteira Sudoeste do Rio Grande do Sul. 2.ed. Porto Alegre, Renascença, 1983, 2 v.

PORTO, Aurélio, História das Missões Orientais do Uruguai. Porto Alegre: Selbach, 1954. Disponível também em: https://archive.org/details/historiadasmisso01port .

RODRIGUES, Elusa Maria Silveira, MADEIRA, Jussara Lisbôa, SANTOS, Lucila Maria Sgarbi, BARROSO, Véra Lucia Maciel (Org.). Bom Jesus e o Tropeirismo no Cone Sul. Porto Alegre: Edições EST, 2000, 430 p.

SANTOS, Lucila Maria Sgarbi, VIANNA, Maria Leda Costa, BARROSSO, Véra Lucia Maciel (Org.). Bom Jesus e o Tropeirismo no Brasil Meridional, Porto Alegre: Edições EST, 1995, 184 p.

SANTOS, Lucila Maria Sgarbi e BARROSSO, Véra Lucia Maciel (Org.). Bom Jesus na Rota do Tropeirismo no Cone Sul. Porto Alegre: Edições EST, 2004, 763 p.

STRANFORINI, Rafael, No Caminho das Tropas. Sorocaba: TCM, 2001.

TRINDADE, Jaelson Britan, Tropeiros. São Paulo: Editoração, Publicações e Comunicações Ltda., 1972.

VELHO, Adenar Pereira et al., Tropeirismo: Educação Básica. Porto Alegre: Companhia Rio-Grandense de Artes Gráficas (CORAG), 2008, 52 p.

ZIMMERMANN, Florisbela Carneiro, Biribas: a contribuição do tropeiro à formação histórico-cultural do Planalto Médio Sul-rio-grandense. Sorocaba: Gráfica Cruzeiro do Sul, 1991, 44 p.

           A coleção “Raízes” (municípios descendentes de Santo Antônio da Patrulha) organizado pela Prof. Véra Lucia Maciel Barroso, normalmente tem artigos sobre tropeirismo da região.

terça-feira, 26 de junho de 2018

Subtemas para serem trabalhados, dentro do tema "Tropeirismo" - Semana Farroupilha 2018

Tema dos Festejos Farroupilhas 2018
Tropeirismo - Contribuição para a formação da identidade sul-rio-grandense
Introdução e justificativa

          O Tropeirismo foi um ciclo econômico, social e cultural, e um dos principais responsáveis pela formação da identidade do povo gaúcho, desde os primórdios de sua ocupação europeia pelos jesuítas na região missioneira (1626) e posteriormente por paulistas, lagunistas e portugueses que se estabeleceram inicialmente nos Campos de Viamão, formando as primeiras estâncias oficiais (1732), mediante doação de sesmarias. Estas estâncias tinham principalmente duas finalidades: 
1- Garantir pose territorial para Portugal 
2- Dar suporte e invernadeiros as tropas que vinha do Sul.

            Este movimento de ir e vir de pessoas de diversas regiões sul-americanas, cada um com seus costumes, valores, crenças, saberes, etc., agregaram ao homem residente no Rio Grande do Sul uma bagagem cultural que influenciaria num perfil típico do Gaúcho atual.

             A importância deste tema para os Festejos Farroupilhas 2018 no Rio Grande do Sul, é recolocar a figura humana do tropeiro, que por muito tempo ficou oculto em nossa história tradicionalista, em seu devido lugar de destaque. O tropeiro, inicialmente alóctone (vem de outro lugar) aos poucos vai se aquerenciando por aqui, adquirindo terras e assim originando novas estâncias, contribuindo para ocupação territorial definitiva do RS. Alguns formaram famílias, casando-se com gaúchas e muitos de seus filhos seguiram as atividades de seus progenitores, garantindo assim, viva as lidas tropeiras de seus antecedentes. Por outro lado, serve de alerta para todos tradicionalistas, que a Tradição Gaúcha não se limita apenas ao Decênio Farroupilha, existem muitos outros elementos importantes que participaram da formação da identidade do povo sul-rio-grandense.


Atividades preparatórias junto as RTs

           As atividades solicitadas para nós, serão desenvolvidas a nível de Região Tradicionalista. Existem duas maneiras:

1- Palestra (Tropa, Tropeiros e Tropeirismo – Contribuição para a formação da Identidade sul-rio-grandense) de aproximadamente 2h em que será exposto o Tropeirismo de forma geral, contemplando aspectos relacionados a conceituações fundamentais, formação das tropas, caminhos, registros, indumentária, pousos, alimentação, tipos de tropas, noções práticas das traias, etc.

            Poderá ser realizada a noite, conforme as necessidades de cada RT.

2- Em forma de seminário que ocupará o dia todo, com uma programação mais ampliada, tal como foi realizado na 4ª RT, em Alegrete.
08h - Recepção e credenciamento
09h - Palestra sobre Tropeirismo Geral
10h30 - Intervalo
10h45 - RT na Rota Tropeira – Depoimentos de tropeiros, descendentes e/ou pessoas que direta ou indiretamente tenham ligação com atividade tropeira
12h - Almoço
13h30 - Práticas Tropeiras
14h45 - Birivas e as Danças Tropeiras
15h45 - Intervalo
16h Discussão, distribuição e planejamento do tema
17h30 - Avaliação do dia de trabalho (Seminário)
18h - Encerramento

            Para realizar o item das 10h45 é necessário a participação efetiva da RT, para trazer as pessoas que darão seus depoimentos. Pode ser substituído por trabalho apresentado pela RT sobre tropeirismo local.


Atividades propostas para RTs e Entidades Tradicionalistas


As RTs ou Entidades poderão dividir o tema em vários itens e ainda em subitens para melhor desenvolver as atividades, tais como:

1- Tropeirismo Missioneiro – O tropeirismo em sua primeira fase, introdução do gado e formação das Estâncias Missioneiras, que deram origem a Vacaria do Mar (primeiro ciclo das Missões) e Vacaria dos Pinhais (segundo ciclo das Missões).

2- Ciclo do Muar – As mulas como mercadoria principal, soltas ou arriadas. Origem do gado muar com relação a exploração das minas de prata de Potosi. Foi o período de maior desenvolvimento econômico, subsidiária inicialmente do Ciclo do Ouro e posteriormente dos demais Ciclos: Algodão, Café, Cacau, Erva-mate, etc. Oficialmente todas as tropas tinham destino a grande Feira de Sorocaba e depois de seu fechamento, em Itapetininga.

3- Os 5 Grandes Caminhos – Caminho da Praia (do Mar); Caminho de Souza Farias (dos Conventos); Caminho do Viamão (do “Certão”, Real ou Viamão-Sorocaba); Caminho das Missões (Veredas das Missões) e Caminho da Palmas. Por estas rotas os tropeiros percorreram todos os Estados da Região Sul, Sudeste e parte do Centro-Oeste e Nordeste, além de países vizinhos como o Uruguai e Argentina. Os pousos onde permaneciam alguns dias se tornaram povoados, evoluindo mais tarde para grandes cidades. No meio destes caminhos se estabeleciam também posto de cobrança de impostos (Registros, pedágios).

4- Usos e Costumes do Tropeiro – Todos a elementos materiais e imateriais do dia a dia do tropeiro. Isso pode ser observado na culinário, na indumentária, nas encilhas, nas traias, nas crenças, nas danças, na medicina campeira, no linguajar, no imaginário tropeiro (lendas, mitos, etc.), etc.

5- Tipos de Tropas – Tropas bovinas, muares, asininos, equinos, ovinos, suínos, gansos, perus, tropas de carretas. Cada uma com suas características própria de condução. Neste item, cada Região pode enfatizar a que era ou é ainda, a mais comum no local.

6- Ofícios Associados – Além de exercer seu próprio ofício de tropeiro, muitas vezes assumia outras atividades, como entregador de correspondências, objetos e muitas vezes era a única comunicação entre localidades. Mas outros ofícios se estabeleceram ao longo de sua caminhada, como por exemplo: seleiros, tecelões, ferreiros, ferrador, funileiros, guasqueiros, jacazeiros (cesteiros), bruaqueiros, frentistas, cangalheiro, taipeiros (de pedra), rancheiros, e outros regionais.

7- A Comitiva – A formação de uma comitiva normalmente apresenta estes elementos humanos: Tropeiro (inicialmente, nem sempre presente), condutor ou capataz, e os peões que também apresenta funções diferenciadas como ponteiro, madrinheiro, fiadores (costaneiros, flanqueiros), culatreiros, arribador, contador, cozinheiro e arrieiro. O número de peões, vai depender do tipo de tropa e do número de animais a serem tropeados.

8- Tropeirismo Regional – Após o grande ciclo econômico nacional do muar, o tropeirismo continuou sua atividade, agora mais regionalizado, envolvendo várias outras atividades de transporte com muares, como por exemplo: tropas de carregamento de lenha, pedras, areia, enxovais e diversos produtos agropecuários como pinhão, queijo, charque, açúcar, sal, aguardente, vinho, café etc. Além disso, ocorria e ocorre até hoje, movimentação de gado em pequenas e médias distâncias, principalmente de bovino e ovinos.

           Outras atividades também devem ser realizadas pelas RTs, dependendo de sua demanda histórica. Além disso, cada um dos oito (8) itens apresentam várias títulos que podem ser individualizadas também, ou seja, as possibilidades de trabalho são bem extensivos.

Nota: Trabalho abnegado de Valter Fraga Nunes e Marco Aurelio Angeli (Zoreia). Vi o trabalho deles durante o evento Encontro de tropeirismo em Santo Antonio da Patrulha, dia 23, e o respeito que professores, como a Vera Lucia Maciel Barroso, tem por eles. São admiráveis. Coisas que normalmente ficam engavetadas, com eles é para 'ontem'. As entidades precisam. Estão procurando. Obrigado tropeiros...

Contatos:
Valter Fraga Nunes, (51) 99807 5404, valterfnunes@gmail.com
 Zoreia (51) 99972 5137 passeiosdemula@terra.com.br

segunda-feira, 25 de junho de 2018

Santo Antônio da Patrulha realiza Encontro de Tropeirismo

           No sábado à tarde, as 14h, a Câmara de Vereadores de Santo Antonio da Patrulha recebeu especialistas na área de Tropeirismo como Valetr Fraga Nunes, Marco Aurélio Angeli, Vera Lucia Maciel Barroso, historiadora de Santo Antonio da Patrulha, Lucila Maria Sgarbi, historiadora de Bom Jesus e tropeira e o professora de história Telmo Gomes.
Acima, direita, com a Professora Vera Luca Maciel Barroso, minha querida mestre do curso de Graduação e Pós Graduação na FAPA
           Temos um vídeo, no facebook, onde Marco Aurélio Angeli, o Zoreia, explica o uso dos equipamentos que o burro, ou a mula, levam durante a tropeada. Vera Barroso mostrou um panorama geral, do tipo, uma aula uma hora contemplou assuntos que levariam quase um semestre na faculdade. Mostrou fases do tropeirismo passando pela historia missioneira e Rio Grande em formação (Diga-se de passagem, uma excelente aula de historia do Rio Grande do Sul - assistindo descobri por que escolhi esta área).
Vera Lucia Barroso deu uma incrível aula sobre a ocupação do território riograndense e sobre a importância do tropeirismo
           Estiveram presentes Delurdes Souza da Costa, da Comissão Gaúcha de Folclore e Francesca Mondadoria, prenda da 23ªRT, entre outras ilustres pessoas. A tropeira Lucila Sgarbi contou as experiencias de seu avô que foi um grande tropeiro da região de Bom Jesus, juntamente com Zoreia, que contou um causo e chegou a se emocionar.

          O trabalho que os tropeiros, Valter Fraga Nunes (foto) e o Zoreia estão realizando é fantástico. Sem nenhum tipo de apoio, desde que foi divulgado o tema estadual, estão palestrando, instrumentalizando e fornecendo subsídios para quem tem interesse no assunto: Tropeirismo. mas o que mais admira é que, apesar de faltar somente dois meses para o grande evento que tem essa temática, vemos poucas pessoas de CTGs e piquetes frequentando palestras como esta, organizada sábado, em Santo Antonio da Patrulha.
    
           Já estamos há duas semanas em que foi anunciado o tema e a Comissão Estadual dos Festejos Farroupilhas, grande responsável pela divulgação nem sequer dividiu em subtemas (cada ano se divide para ajudar as entidades a se organizarem). Ainda bem que os dois abnegados tropeiros estão engajados de corpo, alma e amizades para trabalhar tanto, em tão pouco tempo. Fique a lição: O tema dos Festejos tem que voltar para o Congresso e as entidades saírem de lá sabendo o que terão de trabalhar no ano corrente.

quarta-feira, 20 de junho de 2018

Encontro sobre Tropeirismo, em Santo Antônio da Patrulha

        O programa Identidade Gaúcha e nosso Blog, atentos aos acontecimentos para mantê-los informados, estará acompanhando o Encontro sobre Tropeirismo em Santo Antonio da Patrulha, dia 23, as 14h as 17h. "Vera Lucia Maciel Barroso foi minha professora de História do Brasil, na graduação, na FAPA, é uma grande professora. Muito conhecimento!"

terça-feira, 12 de junho de 2018

Tema dos Festejos Farroupilhas de 2018 - TROPEIRISMO

Tropeiro Valter Fraga Nunes

Algumas considerações conceituais sobre Tropeirismo

“...Fenômeno quase universal, e de todos os tempos, desde a pré-história, porquanto o transporte terrestre e por quadrúpedes domesticados...

...Complexo de fatos geográficos, históricos, sociais, econômico e até psicológicos, relacionado com as tropas de transportes em todo o país.

...Tropeirismo é bem brasileiro, sem embargo de suas origens universais remotos e de suas raízes imediatas sul-americanas”.

           Esta foi a primeira definição do termo Tropeirismo, publicado por Aluísio de Almeida em 1968 na obra “O Tropeirismo e a Feira de Sorocaba”, embora já em 1944, ele tinha esta concepção, infelizmente só conseguiu publicar 24 anos depois. Interessante que ele observa que esta atividade de condução e venda de animais, era exercida há milhares de anos por outros povos, mas não tinham esta denominação. Como ele diz “...é bem brasileiro...”

          Atualmente Tropeirismo brasileiro pode ser compreendido de duas formas: uma mais restrita (stricto sensu) e outra mais abrangente (lato sensu).

          A primeira refere-se ao “Ciclo do Muar” (denominação pré-tropeirismo) descrita por Alfredo Ellis Junior em 1950, em que a mercadoria era os muares (mulas e burros) soltos, xucras ou arriadas, inicialmente para atender o Ciclo do Ouro e posterior para dar suporte aos demais Ciclos Econômicos (cana-de-açúcar, café, algodão, cacau, borracha, erva-mate, etc.).

         Segundo Alfredo Ellis “... nasceu com o ouro, na madrugada do século XVII e depois de uma vigência de mais de século e meio, morreu em 1875 mais ou menos, com o advento da ferrovia ...”

         Podemos entender que a “madrugada” refere-se ao final do século XVII. Acredito que o Ciclo começou a enfraquecer “...com o advento da ferrovia ...”, mas não se extinguiu. Nem todos ruralistas possuíam uma estação ferroviária em suas propriedades. A maioria da produção era escoada ainda no lombo dos muares. Além disso, a Feira de Sorocaba continuou até 1897, quando sofreu com a peste e outros obstáculos administrativos da Cidade, transferindo-se para Itapetininga, por onde perdurou por mais uns 10 anos e aí sim finalizando um dos maiores e mais rendoso Ciclos Econômicos do Brasil, mas a atividade tropeira continuou e persiste até hoje em vários lugares do país.

          Para Aluísio de Almeida, “Historicamente, as primeiras tropas de cavalos e muares chucros dos quais, depois de amansados, surgiram tropas carregadas, entraram em São Paulo e Minas, vinda do atual Uruguai, em 1733.”. Ele acrescenta ainda “Até então havia cavalhadas e burradas como tropa solta e comboio de cavalos e asnos como tropa carregada,” 

          Com certeza a causa do início do Tropeirismo brasileiro foi a descoberta do ouro e diamantes em Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso, mas é certo também que a movimentação de tropas não foi imediata. Embora clandestinamente, milhares de animais foram levados, no início do século XVIII, do Uruguai através do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná até São Paulo e de lá direcionado para seus destinos.

          De um modo geral podemos deduzir que o Ciclo do Tropeirismo foi o Intervalo de tempo em que ocorreu a exploração econômica dos muares em movimento.

          A segunda forma compreendida de Tropeirismo é mais ampla (lato sensu). Leva em consideração, além dos muares, a condução de outros animais, não somente quadrúpedes como relata Aluísio de Almeida, como por exemplo: bovinos, equinos, asininos, ovinos, caprinos, suínos, camelídeos, etc., mas também bípedes como perus e gansos. Além disso, considera-se tropa de carretas e/ou carroções, quando em grupo e tracionadas por animais.

         Com esta movimentação intensa e longínquo de animais e pessoas de várias regiões brasileira e estrangeira, o Tropeirismo foi responsável pela integração social, cultural, linguística, e disseminação de saberes, usos, costumes, valores, arte, etc., no território nacional e Sul da América. No seu rastro, pousos viraram arraiais, vilas e cidades.

          No Rio grande do Sul, o Tropeirismo teve papel fundamental na sua ocupação, desenvolvimento (em todos os sentidos) desde seus primórdios até pouco tempo atrás, contribuindo para a formação da figura humana atual do gaúcho brasileiro 
Foto: Valter Fraga Nunes     Tropeiro Alexandre Scherer, de Cruzeiro do Sul   Local da foto: Bom Jesus/RS
           Como pode se vê, o Tropeirismo é um assunto muito complexo e demanda muita pesquisa na busca de informações documentais, sejam impressas ou orais. Existe muita, mas muita coisa para se descobrir que ajudará a montar este enorme mosaico histórico-sócio-cultural.

           Esperamos que, como tema dos Festejos Farroupilha 2018, todas as Regiões Tradicionalista busquem em suas querências suas raízes tropeiras e as revelem para a História. Existem locais repletos de vestígios, mas ocultos. Procure nos mais velhos, eles sempre tem algo para contar. Gravem, escrevam, registrem e divulguem!

        Sei que o tempo disponível para trabalhar o tema é curto, mas já que é, vamos à luta. Vamos fazer parte desta incrível aventura.


Baita abraço a todos