domingo, 11 de abril de 2021

Nossa “gente” - por Cristiano Silva Barbosa

     “Dentro da obra regional, é do dom evocativo que impressiona, é a qualidade de experiência que retém o leitor vaqueano, a perder-se por gosto em todos os atalhos da recordação.” Augusto Mayer, Prosa dos Pagos.

     Falar do gaúcho é rasgar a visão interior, enquadrada na moldura da história: na perna de cada letra há sugestões para o leitor fantasiar, o amigo pachola, o fumo crioulo bem “palmeado”, a fumaça de um fogo de chão que escreve no ar as imagens indecifráveis de um texto vivo que os olhos apalpam e o ouvido reproduz, buscando seu eco no poço da memoria.

      Pingos de cola atada, uns atados em argolas outros maneados, laços a bate cola, malas e ponchos nos tentos; nos cantos do galpões deitados os guardas infalíveis, inigualáveis companheiros do gaúcho de todos os momentos, os cachorros. Os maribondos zunindo, abrindo seus túneis no madeirame bruto das casas e galpões; os “bico chanchão” batendo martelo pelos oitões; as caturritas reunidas nas alturas dos arvoredos; um ovelheiro cavocando na sombra de uma árvore, buscando lugar fresco para deitar; uma galinha que chateia depois de botar o ovo. De tempo em tempo um terneiro berra e a mãe responde; um cavalo na sombra pateia uma mutuca; o zinco do galpão estala.  

   Histórias em rodas de mate, que transbordam de bocas duras e carinhosas; vestígios vivos moldados no barro das mangueiras, muitos ainda arrastam esporas, atravessando o tempo num passo decidido, o gaúcho firme nos arreios, “acavalo” soberbo como outrora, ou de tirador e armada pronta na saída da mangueira para um pealo de “cucharra” e a farra da gauchada apertando. Uma nuvem branca, a qual sua sombra forma um capão escuro no verde sol da canhada, manchas vivas de gado, mosqueando, ao longe, na várzea, mudando a cada momento o efeito; o concerto alegre e animador dos pássaros, saudando a aurora numa contagiante alegria. 

Tudo isso abre, no fundo da lembrança, uma várzea para o sol entrar, quando o cheiro dos pastos verdes é mais ativo e os banhados refletem uma resga de céu mais profundo. 

     Essas imagens campeiras, dessa paz, havia ao todo o mistério da hora que passa. São origens de uma raça que não cabe em livros, e fica sobrando na página composta. Algumas manifestações que invadem a alma dos puros e de pessoas que zelam pelo nosso folclore.

Fragmento do Livro Ensaios do Povo Gaúcho
Cristiano da Silva Barbosa


Inscrições para o Curso de Folclore da CGF estão chegando ao fim

 

     Tu ainda não fizestes a tua inscrição para o Curso de Folclore da CGF?

     Gente, não perca tempo! O último curso foi em 2017. 

     Em agosto, vai ter um seminário interno da CGF e quem sabe tu poderás estar participando, também?

    Odilon Ramos, Cristina Rolim Wolffenbüttel, Lucia Brunelli, Ivo Benfatto, maria Eunice Maciel, Paula Simon, Marco Aurelio Alves, Neusa Secchi, entre outros nomes estarão falando sobre nossas culturas populares.

     As inscrições encerram quando fechar 70 participantes (o que pode ocorrer antes de sexta, 16), por isso corre e te inscreve.



sexta-feira, 9 de abril de 2021

20ª Conferência Brasileira de Folkcomunicação


     São 20 anos oficiais de compromisso com os estudos e pesquisa no contexto da única Teoria da Comunicação genuinamente brasileira. A transversalidade da Fokcomunicação permitiu que ao longo dessa estrada pudéssemos perscrutar temas diversos, em parcerias nacionais e internacionais, com publicação de livros, revistas, realização de seminários, jornadas, concursos e encontros, além de participação em eventos científicos no Brasil e em outros países, especialmente da América Latina e Europa.

     A cultura popular como meio de comunicação de indivíduos e grupos fomentou discussões em torno de produtos midiáticos populares e massivos, estimulou os estudos sobre epistemologia, metodologia e taxionomia da Folkcomunicação. Do centro da cidade à periferia e à zona rural, do artefato manual ao digital, das relações tangíveis às intangíveis, a riqueza de objetos trazida até aqui nos mostra que muito conquistamos no terreno da Ciência da Comunicação e ainda há um universo de possibilidades de recortes temáticos, fato que nos impulsiona a continuar seguindo com responsabilidade diante das pesquisas e da busca do conhecimento.

     Neste ano, por conta da crise sanitária vigente no Brasil relacionada à pandemia da Covid-19, nossa edição será inteiramente online. A Universidade Federal do Maranhão (UFMA), em parceria com a Rede Folkcom, preparou um evento que contará com oficinas, grupos de trabalho, palestras, concursos de fotografia e de audiovisual. Infelizmente, o(a) conferencista não poderá passear pelas belas ruas de São Luís, conhecer nossos casarios, provar nosso arroz de cuxá e moqueca maranhense, mas faremos o possível para que o calor humano, que caracteriza nossa gente, chegue até você por meio das telas.

Data do evento

29 de junho de 2021, 08h00 até 2 de julho de 2021, 20h00

Local do evento

Evento online - O link do evento ainda não foi informado

quinta-feira, 8 de abril de 2021

Saberes & Fazeres - Terceiro programa vai tratar do Batuque no RS

 

     O primeiro programa, que lançou o curso de folclore, foi visto por quase duas mil pessoas. O segundo, na última quarta, 7, tratou de medicina campeira, povoeira e os costumes antigos, com Severino Moreira e Maria Luiza Benitez teve grande audiência. Mas o terceiro, promete mais.

    Na próxima quarta, dia 14, Saberes & Fazeres recebe dois convidados: Ana Carolina Kerber e Werner André de Menezes para uma conversa sobre o batuque no RS. Ana Carolina é Psicóloga Clínica e Ialorixá, já Werner  é Administrador de Empresas e Babalorixá. A mediação e apresentação será por conta da vice-presidente da Comissão Gaúcha de Folclore, Renata Pletz.

segunda-feira, 5 de abril de 2021

Edital Ações Culturais das Comunidades tem 4.587 contemplados

     A Secretaria de Estado da Cultura (Sedac), a Associação de Desenvolvimento Social do Norte do RS (ADESNRS) - Central Única das Favelas de Frederico Westphalen e Cufa RS divulgaram nesta segunda-feira (5) o resultado final da seleção dos contemplados no Edital “Ações Culturais das Comunidades”.

     O edital contou com 7.824 inscrições. Foram contempladas 4.587. Destas, 3.582 na categoria Premiação Agente Cultural - 73% cotistas. Na categoria Subsídio, foram contemplados 393 coletivos formais (com CNPJ ativo) e 612 coletivos informais (sem CNPJ ativo).

     O edital tem por objetivo selecionar agentes culturais e iniciativas coletivas culturais de base comunitária nos bairros pertencentes aos 23 municípios participantes do Programa RS Seguro e assegura vagas (cotas) de pelo menos 50% (cinquenta por cento) para pessoas físicas da categoria Premiação - Agente Cultural, para os indicados autodeclarados preto, pardo; indígena; quilombola; cigano; mulher trans/travesti; e homem trans - mediante auto declaração na inscrição, e para Pessoas com Deficiência (PCD’s).

    Clique aqui para acessar a lista final dos contemplados:

 https://acoesculturaiscomunidades.org/lista-de-contemplados

CTG Presilha do Pago será o anfitrião do Encontro Jovem da 18ªRT

 

Inscrições

sábado, 3 de abril de 2021

Saberes & Fazeres - Medicina Campeira em foco, dia 7

 


Nota de falecimento e pesar - Adenor Frainer


      É com enorme pesar que registramos aqui a passagem do ex-patrão do CTG Gaudério Serrano, de banto Gonçalves, Adenor Frainer. Nos solidarizamos com a família e amigos, para os quais pedimos a Deus que conforte os corações.

     "A família GAUDÉRIO SERRANO deseja que Deus ampare e conforte todos os corações feridos pela dor do luto".

quinta-feira, 1 de abril de 2021

Macela ou Marcela - por Severino Moreira

      Ajuda no tratamento de azia, cálculo renal, dor de cabeça, cólicas, câimbras, contusões, diarreia, gastrite, úlcera, dor de estômago, resfriado, retenção de liquido, reumatismo, colesterol alto e acalma o sistema nervoso;

     É um arbusto  que atinge cerca de um metro de altura e na região sul costuma florescer no mês de março. As flores são amarelas e têm um aroma agradável, com cerca de um centímetro de diâmetro, florescendo em pequenos cachos. As folhas são finas e de cor verde-claro, meio acinzentada, que se destaca do restante da vegetação do campo.

    A crença que motiva é religiosa e dizem que a macela colhida na Sexta Feira Santa tem um maior poder medicinal. Não se sabe exatamente qual a relação com o dia, mas algumas versões contam que quando Cristo subiu o calvário com a cruz, no caminho havia muita macela. Como é uma planta macia, Cristo pisava sobre elas para não machucar tanto os pés descalços e os fiéis percebendo isso, colhiam macela e colocavam em seu caminho cobrindo o chão pedregoso, então a planta passou a ser vista como sagrada, e com poder de cura para tantos males. Também existe a crença que Deus benze as plantas e o sereno é a água benta.


     Aqui no Sul as flores da macela também costumavam ser usadas para encher travesseiros de crianças, por se acreditar que tenha efeitos calmantes. Através do cheiro suave e gostoso, também acredita-se que cura a alergia com um travesseiro da erva.

     Pelo parecer técnico dizem que os dias que antecedem a Páscoa são, justamente, o período que a floração está bem madura e no ponto e por isso, nesta época em que ela tem maior quantidade de compostos químicos, para as ações da planta.

     Devido a religiosidade que envolve a planta e suas propriedades medicinais, a Macela foi instituída, em 2002, como a planta medicinal símbolo do Rio Grande do Sul.  

   A colheita da macela pode estar com seus dias contados, pois ao invés de colher os galhos, geralmente são arrancados com a raiz e também por ser colhida justamente no período de floração, impedindo que o ciclo natural se complete. 

"A macela no meio da vegetação é muito mais saudável do que na rodovia, pela poluição".

     Depois da colheita, é interessante secar à sombra e, quando seca, guardar em um lugar fechado.

      Não se sabe de nenhum medicamento produzido com ela, mas sua eficácia é incontestável.