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segunda-feira, 18 de maio de 2026

Entidades precursoras do tradicionalismo gaúcho

    A formação do tradicionalismo gaúcho não surgiu de forma repentina, tampouco foi resultado de um único movimento ou de uma única geração. Suas raízes começaram a ser construídas ainda na metade do século XIX, quando homens e mulheres, movidos pelo sentimento de pertencimento à sua terra, passaram a organizar iniciativas que preservavam costumes, valores e referências culturais do Rio Grande do Sul. Antes mesmo da criação dos Centros de Tradições Gaúchas, algumas instituições já desempenhavam um papel decisivo na valorização da identidade sul-rio-grandense, lançando as bases do que mais tarde se consolidaria como o Movimento Tradicionalista Gaúcho.

    Entre essas entidades precursoras, duas merecem destaque especial por sua contribuição histórica e cultural: a Sociedade Sul Riograndense e a Sociedade Partenon Literário.

A Sociedade Sul Riograndense: a saudade da querência transformada em ação

    Em 8 de novembro de 1857, no Rio de Janeiro, Antônio Álvares Pereira Coruja fundou a Sociedade Riograndense Beneficente e Humanitária. Seu objetivo inicial era reunir gaúchos residentes na então capital do Império, especialmente aqueles em melhores condições financeiras, para prestar auxílio aos conterrâneos em situação de necessidade, oferecendo inclusive meios para que pudessem retornar à sua terra natal.

    Mais do que uma instituição beneficente, essa sociedade tornou-se um espaço de convivência e preservação cultural. Em suas atividades, reviviam-se costumes, hábitos e tradições típicas do Rio Grande do Sul, mantendo viva, longe da querência, a memória e o orgulho de ser gaúcho. Esse sentimento de pertencimento já revelava os primeiros sinais de um movimento organizado em defesa da identidade regional.

    Com o passar do tempo, a entidade ampliou sua atuação e passou por importantes transformações administrativas e culturais, adotando o nome de Sociedade Sul Riograndense. Sua trajetória continuou marcada pela valorização das tradições, culminando, em 1977, com a criação do CTG Desgarrados do Pago, iniciativa que reforçou ainda mais sua ligação com o tradicionalismo organizado.

    A figura de Antônio Coruja possui importância singular nesse processo. Nascido em Porto Alegre em 1806, professor de língua portuguesa, pesquisador e revolucionário farroupilha, Coruja foi um dos primeiros estudiosos do linguajar popular gaúcho e também pioneiro na coleta de manifestações folclóricas do Rio Grande do Sul. Sua obra ajudou a preservar expressões, costumes e memórias que mais tarde se tornariam elementos fundamentais da identidade tradicionalista.

O Partenon Literário: quando a cultura regional ganhou voz e permanência

    Poucos anos depois, em 18 de junho de 1868, também em Porto Alegre, surgia a Sociedade Partenon Literário, fundada por cerca de cinquenta intelectuais liderados por Apolinário Porto Alegre.

    Inicialmente influenciados pelo romantismo, escritores, poetas, dramaturgos e críticos passaram gradativamente a voltar seus olhares para a realidade regional. Dessa mudança nasceram obras fundamentais para a literatura sul-rio-grandense, como O Vaqueano e A Tapera, de Apolinário Porto Alegre, além de Serões de um Tropeiro, de José Bernardino dos Santos. Esses trabalhos ajudaram a consolidar uma narrativa literária profundamente ligada ao homem do campo, à paisagem do pampa e às tradições do povo gaúcho.

    O Partenon Literário tornou-se a mais importante associação cultural do período imperial no sul do Brasil, permanecendo ativo até 1885. Sua atuação, porém, foi muito além da produção literária. A entidade mantinha biblioteca, museu, imprensa própria, teatro e promovia palestras, debates e atividades educacionais.

    Seus membros defendiam ideais republicanos e abolicionistas, promoviam aulas noturnas gratuitas, incentivavam a participação social e questionavam preconceitos que limitavam a presença feminina na vida intelectual da época. Também iniciaram pesquisas sobre lendas, costumes e tradições populares, registrando aspectos da cultura regional que poderiam ter se perdido com o tempo.

    Foi nesse ambiente de produção cultural e reflexão social que o regionalismo gaúcho começou a adquirir forma, identidade e consciência histórica. Pela primeira vez, a cultura do Rio Grande deixava de ser apenas vivida para também ser escrita, estudada e valorizada como patrimônio.

O despertar de uma identidade coletiva

    As ações dessas entidades demonstram que o tradicionalismo gaúcho nasceu muito antes de sua organização formal. Ele começou no sentimento de saudade do pago, na valorização das raízes, na preservação da linguagem, na literatura, no associativismo e no orgulho de pertencer a uma terra marcada por lutas e conquistas.

    A Sociedade Sul Riograndense e o Partenon Literário foram, cada uma a seu modo, pilares desse processo. Enquanto uma manteve viva a identidade gaúcha entre aqueles que estavam longe da terra natal, a outra transformou os costumes e a história do Rio Grande em produção intelectual e memória permanente.


quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

A data de 13 de dezembro marca o nascimento de Barbosa Lessa, há 89 anos

        Bem quando espirava a tarde e nascia a noite de 13 de dezembro, em 1929, chegou ao mundo Luiz Carlos Barbosa Lessa na Chácara Boa Esperança, imediações da histórica vila Piratini, a primeira capital farroupilha.

        Dona Alda, a mãe, ensinou-lhe as primeiras letras e palavras da alfabetização, as primeiras notas do piano e o gosto pelo matraquear na máquina de escrever, Olivetti, nunca trocada por computador. Desde o início foi tomado de encanto pela literatura e pela música.

         Em Pelotas fez o curso ginasial no Colégio Gonzaga. Já ligado ao texto, fundou o jornalzinho O Gonzagueano. O gosto musical, pela pesquisa e o folclore, o fez reunir um grupo de amigos com este fim: Os Minuanos. (Mais tarde fundaria o Conjunto Farroupilha, com apresentações exitosas no Brasil, Estados Unidos e China).

          Com 15 anos, mudou-se para Porto Alegre. Enquanto trabalhava como "foca" na Revista do Globo, cursava o 2° Grau no Colégio Júlio de Castilhos. Ali conheceu Paixão Cortes e um grupo de amigos. Criaram o departamento de tradições gaúchas no "Julinho", inspiração primeira que tornaria realidade algo maior: a criação do primeiro Centro de Tradições Gaúchas, o CTG 35, em 24 de abril de 1947, sendo seu primeiro Patrono. Era um novo alvorecer para as tradições do Rio Grande do Sul.

         Em 1952, na capital gaúcha, formou-se advogado para ser, por 20 anos, em São Paulo, homem de publicidade, de histórias em quadrinhos, de televisão, de teatro, de cinema. E de literatura. Seu primeiro livro, Os Guaxos, conquistou, em 1959, o Prêmio Nacional de Romance, pela Academia Brasileira de Letras. Para Walter Spalding "o melhor e o maior romance do Rio Grande do Sul até hoje aparecido”.

        Volta de São Paulo e, já no Rio Grande do Sul, torna-se Secretário de Cultura, no governo Amaral de Souza, Barbosa Lessa, dentre tantos feitos importantes, marca sua gestão promovendo a aquisição do desativado Hotel Majestic, para ser a Casa de Cultura Mário Quintana.

Ao lado do parceiro e "ermão", Paixão Cortes - Muitas pesquisas foram feitas
         Nas últimas ações de sua luta pela cultura, em 2000, conquista merecido destaque em promoção da RBS, sendo eleito pelo povo rio-grandense como um dos "20 gaúchos que marcaram o século XX" mesmo morando, como dizia, no meio dos bichos e dos índios, na reserva ecológica de Água Grande, no interior de Camaquã.

        Elegeu-se Patrono da 46ª Feira do Livro de Porto Alegre, em 2001, o que muito o orgulhava.  Em 11 de março de 2002 partiu a camperear com o Negrinho do Pastoreio, na invernada grande do Céu.

        Começando a publicar em 1951, Lessa somou mais de meio século de produção literária. Editou quase 70 títulos, nos mais variados campos e gêneros. 

          Foi, também, em 13 de dezembro, só que de 1912, que nasceu o "Rei do Baião", Luiz Gonzaga.

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

2018 - Sesquicentenário do Partenon Literário

A mais antiga entidade literária do Rio Grande do Sul, que abrigou os nossos maiores intelectuais, foi criada no dia 18 de junho de 1868, completará, em 2018, seu sesquicentenário.

           Sua criação permitiu o intercâmbio de informações e ideias entre os seus intelectuais, promovendo a circulação de matérias literárias em diferentes jornais que percorreram os mais distantes recantos do Rio Grande do Sul. 

           Sua atuação buscou expandir a cultura dos gaúchos, oferecendo cursos noturnos para adultos (mostrando sua preocupação com a formação intelectual da população) e criando uma biblioteca com importantes obras de Filosofia, História e Literatura e um museu com seções de Mineralogia, Arqueologia, Numismática e Zoologia. As aulas noturnas foram uma das atividades mais duradouras, permanecendo até 1884 quando, devido à dificuldades financeiras e falta de um local para abrigar as aulas, estas foram suspensas.

          Entre seus fundadores faziam parte Apolinário Porto Alegre, Caldre e Fião, Aurélio Bitencourt, Aquiles Porto-Alegre e outros. A instituição reuniu os maiores intelectuais da época, incluindo, além dos fundadores, nomes como Luciana de Abreu, Múcio Teixeira, Amália Figueiroa entre muitos outros.

          Os jovens membros do Partenon participavam de campanhas abolicionistas, angariando fundos para libertação de escravos, realizando saraus poético-musicais em que se procedia à alforria de escravos. Propagavam, também, os ideais republicanos e promoviam debates com temas diversos como a Revolução Farroupilha, casamento, pena de morte e feminismo, intervindo nos setores da vida social, em cujo desenvolvimento se aqueceriam as postulações mais avançadas da época. 
Dinara, ao lado do Pai, Darcy Paixão

           O Parthenon Literário esteve desativado desde 1885 (fontes falam em 1925), quando encerrou a sua 1ª fase. Reativado por intelectuais (agora, sem o "H", depois do "T") e simpatizantes da causa literária, em 1997, começou a se reunir, visando ao restabelecimento da associação considerada símbolo da literatura gaúcha: o Partenon Literário. Dinara Xavier da Paixão lembrou que em 1987 solicitou ao MTG e ao IGTF a comemoração dos 120 anos do Partenon, durante o Congresso de Veranópolis.

            Vamos comemorar os 150 anos de história, destes jovens que mudaram a sua época. Estruturaram elementos que colhemos em nossa geração. Os jovens do Partenon devem ser lembrados como uma geração que tentou mudar a sociedade que viviam para melhor (1º item de nossa carta de princípios). 

domingo, 18 de junho de 2017

Uma baita experiencia na terra "berço do tiro de laço"

            No dia 14 de junho, quarta feira, rumei para a região nordeste do estado, mais precisamente nos Campos de Cima da Serra, fui para a cidade de Esmeralda - Berço do Tiro de Laço. Se Guaíba é o "Berço da Revolução Farroupilha", Esmeralda tem o titulo de onde nasceram os rodeios crioulos em nosso estado.

            Se tem uma lei que determina o dia do "Tiro de Laço" no Rio Grande do Sul? Tem sim! Mas feito por pessoas aproveitadoras. Sim, aproveitadoras de oportunidades e outras agindo de má intenção ou não, só de ignorância (a qual duvido muito). O governador sancionou "simbolicamente, o projeto de lei 377/2015, que estabelece o dia 26 de março como Dia do Laço. A data deveria ser incorporada ao calendário oficial de eventos do Estado e foi escolhida por ser o aniversário de Porto Alegre. Tem alguma coisa a ver? Uma coisinha só a ver? Nada, não é?

           Se a data escolhida fosse dia 04 de fevereiro, relembrando esta data há anos atras, no longínquo ano de 1952... Aí sim, poderia ser. Quando Alfredo José dos Santos teve a ideia de criar a "Competição Tiro de Laço". Alfredo era homem conhecedor das lides campeiras e exímio laçador e, ao ser convidado para a criação de um time de futebol, onde seria Patrono de Honra, negou-se justificando que se fosse para laçar uma novilha de encomenda estaria pronto. Desta sentença para a ideia foi um passo. Criou-se a ideia, veio a formação de um "Quadro de Laçadores" e daí a outro, para a competição. 

Futebol foi a inspiração

             Quando se pergunta de onde veio a ideia de o Quadro, ou a invernada ser formada por dez elementos a resposta dos pioneiros vem de pronto: Do futebol. Mas a equipe de futebol não são onze? Sim, mas tem goleiro no laço? Claro que não. Então a seleção par ao quadro tinha os dez jogadores representando o time de futebol.

Alfredo José dos Santos x João Ferreira dos Santos

          O primeiro treino de laço aconteceu no dia 14 de novembro de 1951, na fazenda de Ataliba Kuse, logo se formou o primeiro quadro, ou invernada, foi necessário a criação do "adversário". Foi então que aconteceu na fazenda do senhor Jorge Tigre, no dia 04 de fevereiro de 1952 a primeira disputa da modalidade. Os patrões vinham a frente e sabiam que iriam se enfrentar, os demais saiam de trás de algum suposto esconderijo, sem saber quem enfrentariam. Apesar de ser equipe, as disputas eram individuais.

Tudo isso, e muito mais vocês terão a oportunidade de ler no Eco da Tradição do mês de julho. Especial Tiro de Laço.
Cartaz do segundo grande evento ocorrido em 1967

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

62 anos sem Getúlio Vargas

             1954, manhã de 24 de agosto! A emoção incontrolada, nunca antes tão intensamente vivida, em face da notícia bruta, surpreendente, que chegava pela rádio, informando a morte de Getúlio Vargas, do suicídio praticado com um tiro no peito, em defesa do destino nacional. É a vida do Presidente da República imolada em favor das esperanças e da independência da pátria

          É preciso analisar os primeiros reflexos de seu gesto para o futuro da política brasileira. Getúlio foi um gênio da política por excelência. Como ele próprio afirmou, não havia inimigo que ele não conseguisse transformar em amigo. Inteligente, sedutor, mas frio quando se tratava do cálculo político.

          Seu suicídio nunca poderá ser considerado um gesto de desespero, de um político tomado pelo temperamento. Ao contrário, o suicídio sempre fez parte do cálculo político de Getúlio, como uma das possíveis alternativas de superação de um impasse. Foi assim em outras oportunidades históricas como em 30, quando ele saiu do Rio Grande à frente das forças revolucionárias e declarou que se fosse derrotado se mataria; foi assim em 32 quando eclodiu a Revolução Constitucionalista de São Paulo; foi assim em 38, quando sofreu o ataque dos rebeldes integralistas ao Palácio Guanabara.

          O suicídio fazia parte de seus cálculos que pareceram fortes os rumores de que a carta-testamento, lida nos microfones da Rádio Nacional pelo ministro da Fazenda Osvaldo Aranha, não teria sido escrita por Getúlio, mas encomendada há mais de um mes a seu secretário, o jornalista Maciel Filho. Com o suicídio, o presidente Getúlio Vargas virou o jogo político. Altamente impopular nos últimos meses, Getúlio evitava sair às ruas no Rio de Janeiro, pois foi vaiado mais de uma vez.

         Foi chefe do governo provisório depois da Revolução de 1930, presidente eleito pela Constituinte em 17 de julho de 1934, e ditador entre 10 de novembro de 1937 e 29 de outubro de 1945 quando foi deposto pelos militares. Retornou ao poder eleito pelo voto popular em 31 de janeiro de 1951. Para finalmente se matar na no dia 24 de agosto de 1954, escapando de ser novamente deposto.

           Foi Getúlio quem fez a Companhia Siderúrgica Nacional para produzir aço, a Companhia do Vale do Rio Doce para extrair minério, a Petrobrás para explorar petróleo e a Eletrobrás para gerar energia. Foi Getúlio quem criou o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e o Banco do Nordeste para financiarem investimentos públicos e privados. Foi Getúlio quem deu às mulheres o direito de voto. Foi ele quem deu aos trabalhadores a legislação que ainda hoje disciplina suas relações com os patrões. E foi ele quem abriu as portas da administração pública para a admissão de funcionários por meio de concurso e do sistema de mérito. Finalmente, foi ele o arquiteto da estrutura política partidária nacional que vigorou no país até o golpe militar de 1964.

terça-feira, 23 de agosto de 2016

CTG Potreiro Grande, onde nasceu o MTG, completa 59 anos

           O CTG Potreiro Grande iniciou suas atividades em 1957 quando a primeira Diretora do Grupo Escolar Almirante Tamandaré, professora Lílian Argentina Braga, começou a promover na escola, danças e peças de teatro em que os alunos, pilchados, representavam histórias do Rio Grande do Sul. Isto fez com que os pais desses alunos começassem a pensar mais seriamente em relação à preservação da cultura Gaúcha. Naquele mesmo ano os moradores e pais de alunos da Escola Tamandaré reuniram-se e criaram a 23 de agosto de 1957, o CTG POTREIRO GRANDE.

           O patrono do CTG é o Marquês do Herval, o Marechal Manoel Luiz Osório. O nome “POTREIRO GRANDE” foi dado em homenagem ao herói da guerra do Paraguai, cuja fazenda localizada em Tramandaí, tinha um potreiro muito grande onde os tropeiros deixavam suas tropas durante a noite, para que o gado ficasse seguro. Seu primeiro patrão foi o senhor Firmiano Bernardes Osório e Rosemari Romeu foi a primeira “Mais Linda Prenda do RS”. O CTG Potreiro Grande entrou para a história do Tradicionalismo ao recepcionar os participantes do XII Congresso Tradicionalista Gaúcho em que foi oficialmente criado o Movimento Tradicionalista Gaúcho-MTG, nosso órgão máximo.

           Nesses 59 anos de história sediou o Concurso Estadual de Prendas quando Adriana Bitsck foi 1ª Prenda do RS, 1985/86, e sediou o Entrevero Cultural Estadual de Peões tendo dois peões estaduais, Luiz Eduardo Moehlecke, em 1995 e Maickel Martins, em 2009. Sediou também Seminários de Prendas e outras atividades tradicionalistas. Foi campeão e destaque em outras tantas modalidades artísticas e culturais individuais e com suas invernadas.

           Seu patrão atualmente é Pablo Geovane Cabrera, tendo duas prendas regionais que o representarão na Ciranda Cultural Estadual de Prendas na cidade de Bagé, em maio de 2017, Brenda Luiza Moreira Magni, 1ª Prenda Juvenil da 23ª RT e Ingrid Silveira Streit, 1ª Prenda Mirim da 23ª RT.


Gilmara Silveira, em seu facebook oficial: "Hoje minha entidade, o CTG Potreiro Grande, está completando 59 anos de existência! Nesta jornada para chegarmos até aqui, muitas pessoas se doaram! Afinal a entidade é feita de pessoas! E renovações são necessárias, mas a manutenção e o respeito aos antigos é primordial! Houve altos e baixos! Momentos de grande alegria e outros de muita tristeza! Mas isso faz parte de nossas vidas! Mas o importante é seguirmos em frente, respeitando nossa entidade, com bons exemplos e pensando no que queremos para o futuro! Qual legado deixaremos!!! Rumo aos 60 anos! Rumo aos 100... Dá-lhe Potreiro!"

Com muito esforço tem mantidos todas as suas atividades, artísticas, culturais, campeiras e nos esportes. Após a triste perda da Sede, adquiriu uma linda área rural, no Distrito de Estância Velha, Km 5,5, Tramandaí/RS, onde atualmente sua Sede está localizada.  - por Gilmara Silveira

quarta-feira, 9 de março de 2016

Se fosse vivo, Simões Lopes Neto faria, hoje, 151 anos

          João Simões Lopes Neto nasceu em Pelotas, na estância da Graça, uma das maiores charqueadas locias, no dia 09 de março de 1865, filho de Catão Bonifácio Simões Lopes e Teresa de Freitas Ramos, neto paterno do Visconde da Graça.
          Simões foi o maior autor regionalista do Rio Grande do Sul, procurou na sua produção literária valorizar a história do gaúcho e suas tradições. Aos 13 anos de idade foi estudar no famoso Colégio Abílio, no Rio de Janeiro. Retornando ao Rio Grande do Sul, fixou-se em Pelotas, sua cidade natal. Se ainda fosse vivo, Simões Lopes Neto estaria completando, hoje, 151 anos. Por isso vivemos o biênio simoniano, em 2016, 100 anos de sua morte.
          Obras de Simões Lopes Neto: Cancioneiro Guasca (1910); Contos Gauchescos (1912); Lendas do Sul (1913) e Casos do Romualdo (1914). Ele faleceu em 14 de junho de 1916, aos 51 anos, em Pelotas.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

15 anos sem Leopoldo Rassier

          Meu filho não sabe quem foi Leopoldo Rasssier. mas já balbuciou as musicas dele, e quem não o fez?

          Leopoldo Rassier nasceu em 6 de outubro de 1936 foi cantor do movimento nativista, compositor e poeta gaúcho.Teve origem em uma rica família de Pelotas, sendo bisneto do português Visconde de Souza Soares. Era um dos cinco filhos de Gaston Garcia Rassier e de Olenka Litran de Souza Soares. Foi pretor peregrinus, juiz do trabalho aprovado em curso mas não empossado, professor, comunista militante, consultor da Assembléia Legislativa, fazendeiro, poliglota e viajante incansável (morou em Moscou por dois anos). 

          O único álbum da carreira foi gravado em 1986, ao mesmo tempo em que lançava-se candidato a deputado estadual pelo PMDB. Dentre seus principais sucessos, estão "Não Podemo se Entregá Pros Home", "Sabe Moço", "Veterano" e "Minha Querência". 

          Faleceu às 4h30min do dia 6 de outubro de 2000, aos 63 anos, vítima de câncer generalizado e pneumonia. Foi sepultado no Cemitério Jardim da Paz, em Porto Alegre. A Assembleia gaúcha abre, hoje, uma exposição mostrando a vida e a obra deste idolo do nativismo gaúcho.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Maneco Pereira homem que laçava com o pé

Dia 11 de fevereiro - Dia do Campeiro

Poderia colocar esta postagem dia 11, mas preferi fazê-lo antes para alertar as entidades a fazerem alguma promoção lembrando a representatividade que este dia tem no Rio Grande do Sul , muitas vezes, é esquecido.

Manoel Bento Pereira, ou Maneco Pereira, foi o maior laçador que o Rio Grande do Sul conheceu em todos os tempos. Ele nasceu no dia 18 de junho de 1848, no município de Rio Pardo. Ainda criança, foi com a família para a "Estância do Curral de Pedras", no município de Rosário do Sul, onde seu pai trabalhou de capataz.
A "Curral de Pedras" era no século XIX uma das maiores estâncias do sul do estado. Hoje ela está dividida em mais de 10 fazendas, todas de regular tamanho, o que demonstra sua grandeza. O rebanho de gado alcançava mais de 42 mil cabeças.
Aos 15 anos, "Maneco Pereira" já era o sota-capataz da estância, cargo que antigamente era dado ao peão que mais se destacasse nas lides de campo. Com a morte do pai assumiu a função de capataz.
Foi quando conheceu a jovem Clara Veneral Penteado, natural de Batovi, município de São Gabriel, com quem veio a casar. Mudando-se para o então Posto de Santa Leonida, onde depois foi construída sob sua orientação, a tão conhecida estância, que ainda hoje conserva o nome, com que foi batizada pelo famoso laçador.
De seu matrimônio nasceram 12 filhos. Com a economia de longos anos de trabalho acumulou regular fortuna, o que lhe permitiu comprar, em março de 1892, a fazenda denominada Santa Clara, no Batovi, constituída de 20 quadras de sesmaria de campo. E também arrendou mais 20 quadras de outros herdeiros.
Em Batovi fixou residência para o resto da vida. Foi onde viveu seus áureos dias de grandes campereadas, de famosas caçadas, de imensas alegrias. Foi onde sofreu também toda sorte de peripécias, as mais ingratas e cruéis que o destino lhe preparara para o resto da vida.
É quase incrível o que contam das suas façanhas praticadas em tempos idos. Tão espetaculares foram esses feitos realizados numa época em que o laço e as boleadeiras faziam exímios manejadores, que a própria critica, implacável e fria, soube exaltá-lo com destaque na era dos grandes campeiros, entre os mais respeitados que existiram.
"Maneco Pereira" foi um laçador que tanto pealava e laçava com as mãos como com os pés, e não fazia isso por acaso, bastava advir ocasião. Com o laço nas mãos só não fazia chover. Era como um artista fazendo demonstrações da sua arte, num palco de diversões.
"Maneco Pereira" estava repontando uma ponta de gado para um campo vizinho, quando seu cavalo enredou-se em uma linha deitada de arame. O animal assustou-se e a queda foi tão violenta, que o velho campeiro ficou prensado contra a cabeça do serigote, machucando-se gravemente. O ferimento agravou-se sensivelmente, deixando-o muito doente. Todos os recursos médicos da época foram mobilizados, mas de nada adiantou. No dia 11 de fevereiro de 1926 morria "Maneco Pereira", tendo sido sepultado no dia seguinte no Cemitério do Joanico, situado no Batovi.

No mesmo local descansam sua esposa, quase todos os filhos e muitos netos e parentes. (Fonte: Livro "Maneco Pereira o homem que laçava com o pé", de autoria do historiador Osório Santana Figueiredo)

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

24 de outubro na história

1930 - a Revolução que mudou o Brasil

          Em 24 de outubro de 1930, reconhecendo o avanço da guerra civil, os militares do Rio de Janeiro depuseram o presidente Washington Luís, semanas antes do fim de seu mandato. O poder foi entregue a Getúlio Vargas, chefe político da Revolução. Iniciava o período getulista ou, a chamada Era Vargas.

1917 - Inicia a revolução russa.
1929 - Com o crack na bolsa de valores norte-americana, inicia a grande depressão econômica no país.
1932 - Nasce o jornalista e cartunista Ziraldo Alves Pinto. Criador do personagem Menino Maluquinho.
1945 - É fundada a Organização das Nações Unidas, formada por 51 países.
1945 - França, Luxemburgo, Reino Unido, Estados Unidos, União Soviética, Líbano, Brasil, Nicarágua, Nova Zelândia, Jugoslávia, Haiti, Filipinas, Irão, Paraguai, Polónia, Síria e Turquia aderem à ONU.
1945 - Alexander Fleming recebe o Prêmio Nobel de Medicina pelo descobrimento da penicilina.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Cronologia da história do Rio Grande do Sul

1492 — Colombo descobre a América, chegando às ilhas da América Central.
1500   — Cabral chega ao Brasil, desembarcando nas costas da Bahia.
1501   — Caravelas portuguesas, primeiro e logo depois as espanholas começam a aparecer nas costas gaúchas, mas sem desembarque, porque as praias eram perigosas e não havia portos naturais.
1531 — Os navegantes portugueses Martim Afonso de Souza e Pêro Lopes, sem desembarcar nas praias gaúchas, batizam com o nome de Rio Grande de São Pedro a barra que vai permitir mais tarde a passagem de navios do Oceano Atlântico para a Lagoa dos Patos.
1626 — O padre jesuíta Roque Gonzalez de Santa Cruz, nascido no Paraguai, atravessa o rio Uruguai e funda o povo de São Nicolau, assinalando oficialmente a chegada do homem branco ao território gaúcho. Na realidade não se sabe quem foi o primeiro branco a chegar aqui, porque nesse mesmo ano, ao visitar o rio Guaíba (Iguaí) o Padre Roque já encontrou na região onde hoje está Porto Alegre navios portugueses comerciando com os índios. Evidentemente, esses navios tinham vindo pelo mar, forçando a barra do Rio Grande e atravessando a Lagoa dos Patos.
1634 — O padre jesuíta Cristobal de Mendoza Orellana (Cristóvão de Mendonça) introduz o gado nas Missões Orientais, o que vai justificar mais tarde o surgimento do gaúcho.
1641 - Os jesuítas são expulsos do Rio Grande do Sul pelos bandeirantes depois de fundarem 18 reduções ou povos. Essas aldeias foram todas arrasadas e o gado, um pouco foi escondido na Vacaria dos Pinhais, outro pouco eles levaram para Argentina na sua fuga e a maior parte se esparramou, virando "chimarrão", que quer dizer selvagem. Graças ao padre Cristóvão de Mendonça, esse gado, que não tinha marca nem sinal, ficou também chamado "orelhano".
1680 - Finalmente Portugal resolve marcar presença na região Sul para enfrentar o expansionismo espanhol: Dom Manoel Lobo funda a Colónia do Santíssimo Sacramento, que vai ser decisiva para o surgimento do gaúcho.
1682 — Os bandeirantes estão ocupados com o ouro e as pedras preciosas das Gerais, esquecendo os nossos índios. Voltam então os jesuítas espanhóis ao solo gaúcho fundando primeiro São Francisco de Borja, hoje a cidade de São Borja, o mais antigo núcleo urbano do Rio Grande do Sul. Entre 1682 a 1701 eles fundaram os 7 Povos das Missões: São Francisco de Borja, São Nicolau, São Luiz Gonzaga, São Miguel Arcanjo, São Lourenço Martin, São João Batista e Santo Angelo Custódio.
1750 — Assinado o Tratado de Madri entre Espanha e Portugal, pelo qual os portugueses dão aos espanhóis a Colônia do Sacramento e recebem em troca os 7 Povos das Missões. Os padres jesuítas espanhóis não se conformam com a troca e os índios missioneiros se revoltam. Vai começar a chamada Guerra das Missões.
1756 — A 7 de fevereiro morre em uma escaramuça o índio José Tiarayu, o Sepé, junto à Sanga da Bica (hoje dentro do perímetro urbano de São Gabriel) morto pelas forças  espanholas e portuguesas. Três dias mais tarde ocorre o massacre de Caiboaté (ainda no município de São Gabriel) onde em 1 hora e 10 minutos os exércitos de Espanha e Portugal mataram quase 1.500 índios e tiveram apenas 4 baixas. Em Caiboaté foi vencida a resistência missioneira definitivamente. Ao abandonarem as Missões os jesuítas carregaram o que puderam e incendiaram lavouras, casas e até igrejas.
1762 — Assinado o Pacto de Família, que anulou praticamente o Tratado de Madrid. Ou seja, os 7 povos continuaram sob o domínio da Espanha e a Colónia do Sacramento continuou
portuguesa.
1763 — Tropas espanholas invadem o Brasil apoderando-se do Forte de Santa Tereza e da cidade de Rio Grande e de S. José do Norte. No período da dominação espanhola começa a brilhar um herói autenticamente gaúcho: Rafael Pinto Bandeira.
1776 — Os espanhóis são expulsos do Rio Grande. Mas o forte de Santa Tereza jamais foi recuperado. Hoje está em território uruguaio.
1780 — O cearense  José Pinto Martins funda em Pelotas a primeira charqueada com características empresariais. Logo as charqueadas vão ser decisivas na economia gaúcha. O negro entra maciçamente no RGS, como escravo das charqueadas.
1801 - Três heróis rio-grandenses, com poucos seguidores, conquistam para Portugal os 7 Povos das Missões, aumentando em 1/3 o mapa do Rio Grande do Sul. São eles: José Borges do Canto, Manoel dos Santos Pedroso e Gabriel Ribeiro de Almeida.
1808 - Acossada pelas tropas napoleônicas a família real portuguesa foge para o Rio de Janeiro.
1810 - Começa EL ANO DIEZ, marco da libertação das colônias espanholas da América.
1811 - Pedro José Vieira, vulgo "Perico, el Bailarín", que era gaúcho de Viamão, acompanhado pelo uruguaio Venâncio Henavidez dá o Grito de Asencio, que é o primeiro grito da Independência do Uruguai. Surge o grande herói uruguaio José Artlgas.
1815 - Tropas brasileiras e portuguesas tomam Montevidéu anexando o Uruguai ao Brasil com o nome de Província Cisplatina. Nessas lutas até a independência final do Uruguai aparece e ganha pratica e galões Bento Gonçalves da Silva.
1822 - O príncipe português Pedro de Alcântara, da casa de Bragança proclama a independência do Brasil e é aclamado Imperador, com o nome de D. Pedro I.
1824 - A 18 de julho desembarcam em Porto Alegre os primeiros colonos alemães. A 25 de julho eles se instalam nas margens do rio dos Sinos, na Real Feitoria do Linho Cânhamo, hoje a cidade de São Leopoldo.
1827 – A 20 de fevereiro acontece a batalha do Passo do Rosário, onde tropas uruguaias e argentinas, que tinham invadido o Rio Grande do Sul. se enfrentam com tropas brasileiras. Os maiores Heróis das três pátrias tornaram parte na batalha, onde morreu o Marechal José de  Abreu, chamado por seus soldados o "Anjo da vitória". Apesar das declarações vitoriosas dos dois lados não houve vencedores.
1828 – Proclamada definitivamente a independência do Uruguai
1835 — Explode a chamada Revolução Farroupilha.  A 20 de setembro, os revolucionários comandados por Bento Gonçalves tomam Porto Alegre,  capital da Província.  As  causas
políticas, econômicas, sociais e militares. A Província dePedro do Rio Grande do Sul estava arrasada pelas guerras e praticamente abandonada pelo Império do Brasil, meio desgovernado  depois da volta de Dom Pedro I a Portugal.
1836 — A 11 de setembro o coronel farroupilha António de Souza Neto, depois de uma estrondosa vitória sobre as forças imperiais brasileiras no Seival, proclama a República Rio-grandense. Nesse mesmo ano Bento Gonçalves da Silva é aprisioneiro após a batalha da ilha do Fanfa e enviado com muitos oficiais farrapos ao Rio de Janeiro e depois para o Forte do Mar na Bahia.
O governo da nova República se instala em Piratini e Bento Gonçalves da Silva é eleito Presidente. Como está preso, assume em seu lugar José Gomes de Vasconcelos Jardim. Piratini é a Capital.
1837 — Organiza-se o governo republicano. São nomeados Generais António de Souza Neto, João Manoel de Lima e Silva, Bento Gonçalves da Silva e mais tarde David Canabarro, Bento Manoel Ribeiro e João António da Silveira. Enquanto durou, a República Rio-grandense só teve estes seis Generais.
Nesse mesmo ano, a maçonaria consegue dar fuga a Bento Gonçalves, que de volta ao Rio Grande assume a Presidência da República.
1839 — A República parece consolidada, a marinha de guerra sob o comando efetivo de José Garibaldi, corsário italiano trazido ao Rio Grande pelo Conde Livio Zambeccari, através da maçonaria. Os farrapos decidem levar a república ao Brasil. Um exército comandado por David Canabarro e apoiado pela Marinha de Garibaldi proclama em Santa Catarina a República Juliana.
A capital da República Rio-grandense passa a ser Caçapava do Sul.
1841 – A capital da república passa a ser Alegrete, onde se instala a assembleia Nacional Constituinte

1842 – Bento Gonçalves se bate em duelo com Onofre Pires. Conhecido como Duelo de Bravos – Ferido Onofre ires morre pelos ferimentos. Bento entrega a presidência da República e o comando do exercito republicano.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Mês Farroupilha...O cavalo

Fiel Companheiro...O cavalo no Rio Grande do Sul

         A atividade pastoril e as guerras de fronteiras fizeram com que o rio-grandense, das primeiras épocas, contraísse uma espécie de elo com o cavalo, e, em virtude da qual o cavalo é feito auxiliar indispensável da vida do homem e cooperador assíduo de quase todos seus movimentos. O gaúcho estima o cavalo como o constante companheiro de suas viagens, de seus trabalhos e de seus perigos, ele tira do cavalo uma parte da sua força e, com ele, consegue domar todos os demais animais de suas planícies.

       Nos caminhos abertos por Cristóvão Pereira de Abreu (considerado o 1º tropeiro) e Francisco Souza Faria (1727) desfilaram, quase dois séculos, as tropas do Sul para São Paulo. O cavalo, junto ao tropeiro, passou a desempenhar importante função econômica.

Nas áreas rurais, é comum a utilização do cavalo como montaria para passeio, missa (zona de imigração); para fazer compras no armazém ou venda de campanha; para conduzir crianças à escola; para acompanhar acontecimentos mais alegres ou mesmo tristes, como, por exemplo, ir a um fandango (baile rural) ou um enterro.

Além de ser usado como montaria, o cavalo é utilizado para tração de carroças, jardineiras, charretes.  O gaúcho de campanha considera o cavalo um animal nobre e raramente o utiliza para trabalho de engenho, atafona, etc, mas sim, o boi e o muar.
O gaúcho dá preferência ao cavalo crioulo, o qual transformou em símbolo do estado, que se chama “crioulo”, aquele que descende dos trazidos pelos conquistadores da América e que, aqui aclimatados, vieram a construir uma raça zootécnica com características bem definidas.

          Nas fazendas, o cavalo é domado, num processo que, normalmente, acontece no início do verão. Cada domador tem sua maneira peculiar de domar e preparar o animal. Existem várias formas de domar o cavalo, mas é normal o animal ficar na mangueira alguns dias, depois é pealado, colocam-lhe o buçal e maneiam-lhe as patas, finalizam colocando o bocal. Tironeiam a rédea “para quebrar o queixo” (ato de quebrar uma cartilagem na boca do cavalo), apresilham o laço no buçal e fazem ele levantar. Finalmente encilham e desmaneiam o animal.


          Ainda poderíamos falar nas pelagens (Zaino, Tordilho, Bragado, Baio, Gateado, Mouro...) ou nos tipos manhosos (Tafoneiro, Caborteiro, Veiaco, Corcoveador, Baldoso...), nas denominações dadas a eles (bagual, xucro, redomão, potro, potrilho, potranca, matungo, haragano...), na idade, vista pela dentição (o curumilho, entre dois e meio e cinco anos –as éguas não possuem – e depois dos 5 anos o nascimento de um risco preto e a perda do fio...), nas doenças como o garrotilho, broca ou mal de vaza, mas vamos encerrando pois já estamos “com o pé no estribo” (pronto pra sair) pois “Não monto em pêlo” (pessoa que está sempre preparada para o que der e vier). 

sábado, 24 de agosto de 2013

Getulio Vargas - 59 anos de sua morte

          1954, manhã de 24 de agosto! A emoção incontrolada, nunca antes tão intensamente vivida, em face da notícia bruta, surpreendente, que chegava pela rádio, informando a morte de Getúlio Vargas, do suicídio praticado com um tiro no peito, em defesa do destino nacional. É a vida do Presidente da República imolada em favor das esperanças e da independência da pátria 

          É preciso analisar os primeiros reflexos de seu gesto para o futuro da política brasileira. Getúlio foi um gênio da política por excelência. Como ele próprio afirmou, não havia inimigo que ele não conseguisse transformar em amigo. Inteligente, sedutor, mas frio quando se tratava do cálculo político.

          Seu suicídio nunca poderá ser considerado um gesto de desespero, de um político tomado pelo temperamento. Ao contrário, o suicídio sempre fez parte do cálculo político de Getúlio, como uma das possíveis alternativas de superação de um impasse. Foi assim em outras oportunidades históricas como em 30, quando ele saiu do Rio Grande à frente das forças revolucionárias e declarou que se fosse derrotado se mataria; foi assim em 32 quando eclodiu a Revolução Constitucionalista de São Paulo; foi assim em 38, quando sofreu o ataque dos rebeldes integralistas ao Palácio Guanabara.

          O suicídio fazia parte de seus cálculos que pareceram fortes os rumores de que a carta-testamento, lida nos microfones da Rádio Nacional pelo ministro da Fazenda Osvaldo Aranha, não teria sido escrita por Getúlio, mas encomendada há mais de um mes a seu secretário, o jornalista Maciel Filho. Com o suicídio, o presidente Getúlio Vargas virou o jogo político. Altamente impopular nos últimos meses, Getúlio evitava sair às ruas no Rio de Janeiro, pois foi vaiado mais de uma vez.

         Foi chefe do governo provisório depois da Revolução de 1930, presidente eleito pela Constituinte em 17 de julho de 1934, e ditador entre 10 de novembro de 1937 e 29 de outubro de 1945 quando foi deposto pelos militares. Retornou ao poder eleito pelo voto popular em 31 de janeiro de 1951. Para finalmente se matar na no dia 24 de agosto de 1954, escapando de ser novamente deposto.

           Foi Getúlio quem fez a Companhia Siderúrgica Nacional para produzir aço, a Companhia do Vale do Rio Doce para extrair minério, a Petrobrás para explorar petróleo e a Eletrobrás para gerar energia. Foi Getúlio quem criou o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e o Banco do Nordeste para financiarem investimentos públicos e privados. Foi Getúlio quem deu às mulheres o direito de voto. Foi ele quem deu aos trabalhadores a legislação que ainda hoje disciplina suas relações com os patrões. E foi ele quem abriu as portas da administração pública para a admissão de funcionários por meio de concurso e do sistema de mérito. Finalmente, foi ele o arquiteto da estrutura política partidária nacional que vigorou no país até o golpe militar de 1964.

domingo, 4 de agosto de 2013

1849 - Morre Ana Maria de Jesus Ribeiro

         Talvez o nome soe estranho para alguns, mas este é o nome da heroína de dois mundos, Anita Garibaldi. Anita Garibaldi nasceu em Laguna, Santa Catarina, no dia 30 de agosto de 1821. Sua familia veio dos Açores para Santa Catarina. Anita, com a morte de seu pai, obrigou-se a casar com Manuel Duarte de Aguiar, sapateiro de oficio, no dia 30 de agosto de 1835, com apenas 14 anos.

         Lutou na Revolução Farroupilha, na Batalha dos Curitibanos e na Batalha de Gianicolo, na Itália. Corajosa e dedicada, Anita foi homenageada em Santa Catarina com o nome de dois municípios: Anita Garibaldi e Anitápolis. Em Salvador foi homenageada com o nome de uma avenida; em Curitiba com o nome de uma praça, em Porto Alegre, uma Rua, e em diversas cidades com nome de ruas. 

         A heroina de dois mundos morreu no dia 04 de agosto de 1849, de febre tifóide. Em Roma, na colina de Gianicolo, foi erguido um monumento equestre, onde está enterrado seu corpo.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

30 anos da morte de Glaucus Saraiva

            Por estar viajando, deixei de postar, dia 17, a data que marcava os 30 anos da morte de Glaucus Saraiva da Fonseca.

             Glaucus Saraiva da Fonseca nasceu em São Jerônimo, em 24 de dezembro de 1921 e faleceu na capital no dia 17 de julho de 1983. Glaucus Saraiva, foi um poeta gaúcho, da poesia crioula, tradicionalista, folclorista, historiador, professor, pesquisador, escritor, conferencista, músico, e compositor brasileiro. É personagem importante do tradicionalismo gaúcho, juntamente com Paixão Cortes e Barbosa Lessa.
              Era filho de Álvaro Saraiva da Fonseca e Luiza Saraiva da Fonseca, o filho mais novo de uma família tradicional gaúcha. Teve 07 (sete) irmãos: Agamenon Saraiva da Fonseca, Demóstenes Saraiva da Fonseca, Marcos Vinicius Saraiva da Fonseca, Petronius Saraiva da Fonseca, Ligia Saraiva da Fonseca, Semíramis Saraiva da Fonseca, Iracema Saraiva da Fonseca. Deixou uma filha: Maria Luiza Saraiva Soares.
               Foi sócio fundador da Estância da Poesia Crioula e do 35 Centro de Tradições Gaúcha, do qual foi o primeiro patrão (presidente). Idealizou e tornou realidade o IGTF - Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore, órgão vinculado a Secretária de Estado da Cultura, instituído pelo Decreto n.º 23.613, de 27 de dezembro de 1974, tendo sido seu primeiro diretor técnico, e o Parque Histórico General Bento Gonçalves da Silva, na Estância do Cristal, em Camaquã, e o Galpão Crioulo do Palácio Piratini, que pelo Decreto Estadual nº 31.204, de 1º de agosto de 1983, passou a chamar-se Galpão Gaúcho Glaucus Saraiva.
                 Foi professor de folclore do curso de Pós-Graduação da Faculdade de Música Palestrina, professor no Curso de Extensão Universitária da PUC (Folclore na Educação) e no SENAC (Culinária Gauchesca e Usos e Costumes do Sul), e conferencista internacional sobre folclore. Presidiu três congressos tradicionalistas: em Santa Vitória do Palmar (1973), Pelotas (1975) e Passo Fundo (1977). Desenvolveu, também, profunda pesquisa sobre os brinquedos tradicionais das crianças gaúchas, promovendo exposições e publicações a este respeito. Formulou a Carta de Princípios do MTG - Movimento Tradicionalista Gaúcho, o mais importante documento para a fixação da ideologia e dos compromissos tradicionalistas, aprovada no 8º Congresso Tradicionalista, em julho de 1961 em Taquara - RS. Autor da nomenclatura simbólica do tradicionalismo.
                  Ele publicou ainda os ensaios “Manual do Tradicionalista” e “Catálogo da Mostra de Folclore Juvenil”. Foi vocalista dos conjuntos “Os Gaudérios” e “Quitandinha Serenaders” entre 1950 e 1955, além de atuar na Rádio Farroupilha e Rádio Nacional do Rio de Janeiro, de 1948 a 1955. Mas sua ligação com a música foi ainda mais profunda: Cigarro de Palha, Porongo Velho, Tropereada, O Rum é a Gente que Abre, Casa Grande de Estância (com Luiz Telles), entre outras.
Fonte: Wikipédia

terça-feira, 30 de abril de 2013

Primeira execução do Hino Farroupilha

              A 30 de Abril de 1838, os farroupilhas obtiveram uma de suas maiores vitórias em todo o decênio revolucionário: a conquista da vila legalista de Rio Pardo. Em meio à euforia do triunfo, eles se deram conta de que havia sido aprisionada a banda militar do 2º Batalhão Imperial de Caçadores e seu respectivo maestro, Joaquim José Mendanha. Então lhe deram o encargo de compor a música do Hino da República Rio-Grandense. Historiadores afirmam ter acontecido a primeira execução em 5 ou 6 de Maio de 1838.
            Apesar da denominação de "Hino Farroupilha", popularmente é chamado de "Hino Rio-grandense". Em 1934 o hino sofreu alterações sob a revisão do maestro Antonio Tavares Corte Real, que lhe adaptou aos versos de Francisco Pinto da Fontoura, bem como realizou pequenos reparos de ordem rítmica para acentuar o caráter marcial.

segunda-feira, 25 de março de 2013

241 Anos de Porto Alegre


         Um dos integrantes da tropa militarizada de João de Magalhães, Jerônimo de Orneias Menezes e Vasconcelos, natural da Ilha da Madeira, fixou residência no Morro de Santana, antes de 1732. Em 05/11/1740, obtinha ele posse definitiva de suas terras. Sua fazenda aparece nos livros eclesiásticos com o nome de "Sítio do Dorneles".                      
           O sítio, por ocasião da tomada das Missões e da entrada dos açorianos, que chegavam pela Lagoa dos Patos, tomou importância como meio caminho entre Rio Grande e as Missões. Ficou sendo lugar de pouso e espera para a gente açoriana que se destinava a povoar a região missioneira.
            Desde 1753, o Sítio de Dorneles aparece com o nome de "Porto do Dorneles". Já a partir de 1757, recebe a denominação de "Porto dos Casais". Os açorianos não se destinavam a fundar Porto Alegre, a maioria rumou para Santo Amaro e Rio Pardo. Com a chegada de José Marcelino de Figueiredo, em 1769, a situação dos poucos açorianos do Porto dos Casais principiava a melhorar, pois iniciava-se a fundação de um povoado, com a construção da Ermida de São Francisco das Chagas.
            O Rincão de São Francisco foi desapropriado. A pedido do governador José Marcelino de Figueiredo, o Bispo do Rio de Janeiro, D. Frei António do Desterro, criou, em 26/03/1772, a freguesia de São Francisco, orago que em 18/01/1773 seria mudado para Nossa Senhora Madre de Deus de Porto Alegre, talvez em homenagem à princesa D. Maria, filha de D. José I, e à famosa rainha D. Maria I, mãe de D. João VI.
            A povoação progredia com descendentes açorianos, emigrados sacramentinos e, sobretudo, com 60 paulistas trazidos pelo Gen. Gomes Freire de Andrade. Em 24/07/1773, o governador Marcelino transferiu de Viamão para cá a sede da Capital da Província. Em 1780, a freguesia contava com 1.200 habitantes. Em 19/09/1807, com a criação da Capitania Geral, Porto Alegre passou a ser sua capital, sendo elevada à categoria de vila em 23/08/1808.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Inês de Castro - A rainha morta.


Você sabe de onde surgiu a expressão "agora Inês é morta"?

Essa expressão largamente utilizada nos dias atuais, significando "tarde demais", surgiu de uma história real muito antiga, datada do século XIV em Portugal, a história de Inês de Castro, a rainha morta. Cheia de intrigas, romance, assassinatos e outros elementos, a história de amor entre o príncipe infante D. Pedro I de Portugal e de Inês de Castro permanece até hoje no imaginário popular.

Tudo começou por volta de 1320, com o nascimento do príncipe Pedro, filho do rei Afonso IV. Ainda criança, o príncipe infante foi prometido a Constança Manuel, filha de um descendente de monarcas dos reinos de Aragão, Castela e Leão. Já na maturidade, Pedro não almejava o casamento, mas fora submetido a tal, casando-se com sua prometida. 

Entretanto, D. Pedro I apaixonara-se por Inês de Castro, dama de companhia de sua mulher e jovem de grande beleza, sendo por ela correspondido. A partir de então, ambos iniciaram um romance nada discreto que nunca fora bem visto pela Corte e pelo povo português.

O romance adúltero se tornava cada vez mais intenso, levando o pai do infante, rei D. Afonso IV, a ordenar o afastamento de Inês da Corte, sendo exilada em Albuquerque, Castela. Algum tempo depois, em 1345, Constança morreu durante um parto e o príncipe se viu liberto, trazendo de volta sua amante para Coimbra. Durante o tempo em que estiveram juntos, Inês teve 4 filhos de Pedro I, aumentando ainda mais a insatisfação popular e dos nobres. O rei também temia que os Castro, irmãos de Inês, agissem contra o herdeiro legítimo do trono, seu neto d. Fernando, filho de Pedro e Constança, para levar ao poder um dos filhos bastardos.
Pintura de Columbano Bordalo Pinheiro (1857 - 1929), Assassínio de Dona Inês de Castro.
Dom Afonso foi convencido por três de seus conselheiros – Pedro Coelho, Álvaro Gonçalves e Diogo Lopes Pacheco – de que somente a morte de Inês poderia afastar tantos riscos políticos. Em 7 de janeiro de 1355, os três asseclas do rei partiram para Coimbra e encontraram Inês sozinha, pois Pedro havia saído para caçar. Eles a degolaram impiedosamente, e seu corpo foi enterrado às pressas na igreja de Santa Clara.

De volta, Pedro ficou louco de dor e, movido pela raiva, levantou um exército contra seu pai. O rei revidou. O confronto só terminou com a intervenção da rainha-mãe, dona Beatriz, que propôs e conseguiu que ambos aderissem a um tratado de paz em agosto de 1355. Dois anos mais tarde, em 1357, D. Afonso IV morreu. Pedro subiu ao trono de Portugal e seu primeiro ato foi mandar procurar os assassinos de Inês de Castro, refugiados em Castela.

Segundo consta, o novo rei escolheu uma morte particularmente cruel para os homens que destruíram seu objeto de amor. Mandou que lhes arrancassem o coração: de um, pelo peito, e do outro, pelas costas. Reza a lenda que Pedro também mandou colocar o corpo de Inês no trono, pôs uma coroa em sua cabeça e obrigou os nobres presentes a beijar a mão do cadáver. Está nessa narrativa a origem da expressão “Agora, Inês é morta”, que quer dizer algo como “tarde demais”.

O rei Pedro I mandou esculpir sua história em detalhes no próprio túmulo. E quando ele morreu, em janeiro de 1367, seu corpo foi enterrado próximo da bem-amada. Os corpos não foram colocados lado a lado, como seria mais natural, mas um de frente para o outro, para que no dia da ressurreição pudessem se levantar e cair nos braços um do outro.

Os suntuosos túmulos de pedra branca dos trágicos amantes podem ser visitados no mosteiro de Santa Maria de Alcobaça. Sobre o de Pedro, está escrito que os dois permanecerão juntos “até o fim do mundo...”.


Talita Lopes Cavalcante
Administração Imagens Históricas
Fonte:
- História Viva, "Inês de Castro, a rainha morta". Disponível em
 <http://www2.uol.com.br/historiaviva/reportagens/ines_de_castro_-_a_rainha_morta.html>

segunda-feira, 11 de março de 2013

180 anos de emancipação de São Borja


       São Francisco de Borja, a primeira dos sete povos das missões (1682) foi criada através da lei 1.020, de 11/03/1833 desmembrada de Rio Pardo. É, sem duvida nenhuma, o núcleo habitacional permanente mais antigo do território gaúcho. Até a derrocada em 1756, os Jesuítas incrementaram a pecuária extensiva, o artesanato, o cultivo da terra.

       Localizaram a cidade em local alto, afastado da margem do rio, longe das enchentes. Com a saída dos Jesuítas estabeleceram-se grandes estâncias, predominando ainda a pecuária extensiva e a prática das queimadas nos campos nativos. Na ultima década do século XIX, com a vinda de imigrantes europeus intensificou-se a agricultura e o uso do arado no solo, expandindo a lavoura pelo campo nativo e partes das matas nativas. Em meados do século XX a lavoura de arroz então inexpressiva, toma impulso ocupando áreas de várzea e banhados. Os primitivos habitantes deste território foram os indígenas, que deixaram um legado na cultura e na formação étnica. São Borja é considerada a terra dos presidentes, pois lá nasceram Getulio Vargas e João Goulart, o Jango.
Fonte: Site oficial
da Prefeitura