Fundação Cultural Gaúcha valoriza tradição campeira com lançamento do livro Entre a Sorte e o Culo, de Paulinho Vargas
Obra resgata a história, os costumes e os significados culturais do jogo da tava, uma das práticas tradicionais mais antigas ligadas à identidade gaúcha.
A preservação da cultura e da memória do Rio Grande do Sul também se faz por meio dos livros. Cumprindo seu papel de incentivar a literatura e valorizar as manifestações da identidade regional, a Fundação Cultural Gaúcha apresenta ao público a obra Entre a Sorte e o Culo, de Paulinho Vargas, dedicada à história e à tradição do jogo da tava, também conhecido como Jogo do Osso.
Muito mais do que uma modalidade de entretenimento campeiro, a tava representa um costume transmitido entre gerações, especialmente presente na cultura rural e nas regiões de fronteira. O livro propõe um resgate dessa manifestação, percorrendo sua trajetória histórica e cultural e destacando a importância de preservar os conhecimentos e as experiências daqueles que mantêm viva a prática nas canchas gaúchas.
A obra parte do reconhecimento de que o jogo do osso tem raízes antigas e atravessa diferentes povos e civilizações. Conhecido historicamente como astrágalo, o osso utilizado na brincadeira chegou à região do Prata e encontrou no ambiente pampeano um espaço de continuidade, incorporando expressões, costumes e características próprias da cultura gaúcha.
No Rio Grande do Sul, a tava é confeccionada a partir do astrágalo bovino, osso retirado do garrão do animal, com adaptações metálicas que determinam os resultados das jogadas. As duas faces mais conhecidas dão nome ao livro: a sorte, representada pela chapa de bronze, e o culo, correspondente à chapa de ferro.
A dinâmica exige habilidade, precisão e conhecimento das regras. O jogador lança a peça em direção ao picador, na cancha, e a posição em que ela cai determina a pontuação. Quando a tava se fixa no solo na posição de sorte, o resultado é positivo; quando ocorre o culo, a pontuação é desfavorável. A modalidade possui regulamento próprio na legislaçao do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG), que a reconhece oficialmente entre os esportes campeiros do Estado.
Entretanto, o valor da tava vai além da disputa e da pontuação. Está na convivência, na palavra empenhada, no respeito aos adversários e na transmissão de conhecimentos entre os mais antigos e as novas gerações. É nesse universo de relações e significados que a obra de Paulinho Vargas encontra sua principal contribuição.
Conforme a apresentação editorial, o trabalho nasceu da vivência nas canchas, da observação e da escuta dos mais antigos. Não pretende apenas descrever um jogo, mas registrar uma manifestação cultural que faz parte da memória coletiva do povo gaúcho. Ao publicar Entre a Sorte e o Culo, a Fundação Cultural Gaúcha amplia o espaço dedicado à literatura tradicionalista e reafirma a importância dos registros escritos para a preservação do patrimônio cultural imaterial.
Entre a sorte de uma boa jogada e os desafios de manter costumes antigos, Paulinho Vargas coloca no papel uma parte significativa da cultura campeira. Um livro que convida o leitor a conhecer melhor a tava e a compreender que, por trás de cada lançamento do osso, existe uma história que merece ser preservada.


Nenhum comentário:
Postar um comentário