domingo, 6 de setembro de 2026

Rui Rodrigues é o patrono dos Festejos Farroupilhas de Sant’Ana do Livramento

Rui Rodrigues: uma vida dedicada à cultura, à tradição e à fronteira

    A história dos Festejos Farroupilhas de Sant’Ana do Livramento, em 2026, terá como patrono um homem cuja trajetória se confunde com a própria construção cultural da fronteira. Gestor cultural, pesquisador do folclore, professor universitário, tradicionalista e contador aposentado, Rui Francisco Ferreira Rodrigues chega à condição de patrono levando consigo mais de 35 anos de atuação em defesa da cultura, da tradição e da identidade regional.

    Membro efetivo da Comissão Gaúcha de Folclore, Rui Rodrigues tem dedicado parte significativa de sua trajetória à pesquisa, à preservação e à salvaguarda do patrimônio imaterial do Rio Grande do Sul. Sua atuação, entretanto, nunca ficou restrita à pesquisa. Ao longo das décadas, ele esteve à frente de entidades, eventos, projetos culturais e iniciativas que transformaram ideias em ações concretas.

Na fronteira, sua caminhada tradicionalista começou de maneira particularmente significativa com a fundação, em 1986, do CTG Presilha do Pago da Vigia, entidade da qual foi patrão e gestor artístico. Sob sua liderança, grupos de dança da entidade alcançaram classificações consecutivas em importantes concursos do tradicionalismo gaúcho, entre eles o FEGART e o ENART.

    A experiência adquirida dentro das entidades tradicionalistas levou Rui a ocupar outros espaços de liderança. Foi presidente da Associação Tradicionalista de Sant’Ana do Livramento e coordenador regional da 18ª Região Tradicionalista, participando da articulação e integração de dezenas de entidades. Também presidiu a Associação dos Artistas e Fazedores de Cultura de Sant’Ana do Livramento, ampliando sua atuação para o conjunto da produção cultural do município.

    A fronteira, para Rui, nunca foi apenas uma linha no mapa. Foi, sobretudo, um território de encontros, intercâmbios e possibilidades. Essa visão esteve presente em sua participação na Semana Farroupilha Internacional de Sant’Ana do Livramento, onde exerceu, entre 2009 e 2014, as funções de coordenador-geral e captador de recursos. Naquele período, esteve envolvido com planejamento, logística, orçamento e articulação das relações culturais binacionais.

    Sua atuação internacional ganhou um capítulo especial com a participação no Acendimento da 1ª Chama Crioula Internacional, em Colônia do Sacramento, no Uruguai, iniciativa que simbolizou a aproximação cultural entre brasileiros e uruguaios a partir de uma das maiores referências do tradicionalismo gaúcho.

    O intercâmbio cultural também levou Rui Rodrigues a dirigir grupos artísticos em festivais internacionais de folclore na Argentina e no Uruguai. Invernadas artísticas de Sant’Ana do Livramento participaram de eventos em cidades como General Belgrano e Santiago del Estero, levando a dança, a música e os costumes do Rio Grande do Sul para outros territórios do Mercosul.

    Mas sua contribuição à cultura santanense não se resume ao tradicionalismo organizado. Rui foi criador e produtor de eventos que passaram a integrar o calendário cultural da região, entre eles o Rodeio Cultural de Sant’Ana do Livramento, o Festival Uma Canção para Sant’Ana do Livramento, o CATY, o Festival Frangos, Vinho e Queijos e o Rodeio de Declamadores da Fronteira Oeste.

    Também está ligado a iniciativas que aproximam cultura, turismo e economia criativa. À frente da Associação Santanense Ovino e Vinho, trabalhou na criação de projetos de turismo identitário, valorizando produtos, sabores, histórias e manifestações que fazem da fronteira um espaço cultural singular.

    A preocupação com a preservação da memória também aparece em um de seus projetos de maior significado simbólico: Rui Rodrigues foi o idealizador e gestor responsável pela aprovação, por meio da Lei de Incentivo à Cultura, do projeto do Monumento a Paixão Côrtes, contribuindo para transformar a homenagem a um dos grandes nomes da cultura gaúcha em patrimônio material da região.

    Sua experiência técnica, por sua vez, sempre caminhou lado a lado com a sensibilidade cultural. Bacharel em Ciências Contábeis, pós-graduado em capacitação para o ensino de terceiro grau e professor universitário do curso de Ciências Contábeis, Rui encontrou na administração, no planejamento e na gestão financeira ferramentas para viabilizar projetos culturais. A experiência como contador e especialista em orçamento e custos tornou-se um diferencial na elaboração, execução e prestação de contas de projetos culturais.

    Essa combinação entre cultura e gestão fez dele também um nome reconhecido no desenvolvimento de projetos pela Lei de Incentivo à Cultura. Atualmente, sua experiência é compartilhada com entidades tradicionalistas de todo o Estado por meio do projeto Vivências de Galpão, iniciativa ligada ao Movimento Tradicionalista Gaúcho na qual atua como painelista e palestrante, contribuindo para discutir o potencial turístico e cultural dos galpões e das entidades tradicionalistas.

    A educação também ocupa espaço importante nessa trajetória. Rui Rodrigues esteve envolvido em projetos de transmissão de conhecimentos e inclusão cultural, entre eles Tropa de Osso para Crianças, Brincadeira de Criança e História Riograndense nas Escolas, além de ter fundado o Coral Tradicionalista Vozes do Pampa.

    Ao escolher Rui Francisco Ferreira Rodrigues como patrono dos Festejos Farroupilhas de Sant’Ana do Livramento em 2026, a comunidade reconhece, portanto, uma trajetória construída em diferentes frentes. Do galpão à universidade, do folclore à gestão cultural, dos projetos sociais aos grandes eventos, do Rio Grande do Sul ao Mercosul, sua caminhada tem um elemento permanente: a valorização da identidade e da cultura como instrumentos de pertencimento e desenvolvimento.

    Patrono é aquele que representa, simboliza e inspira. E Rui Rodrigues chega aos Festejos Farroupilhas de 2026 com uma história que oferece exatamente isso: a memória de quem ajudou a construir a cultura de sua terra e o exemplo de quem continua trabalhando para que essa cultura seja conhecida, preservada e vivenciada pelas novas gerações.

    Em uma cidade onde Brasil e Uruguai se encontram diariamente, a escolha ganha ainda um significado especial. Afinal, a cultura da fronteira não termina onde acaba um país. Ela atravessa pontes, praças, galpões e gerações.

    É nesse território de encontros que Rui Francisco Ferreira Rodrigues construiu sua trajetória. E é justamente por essa caminhada que, em 2026, ele será a referência maior dos Festejos Farroupilhas de Sant’Ana do Livramento.