quarta-feira, 30 de setembro de 2026

11º FEGADAN e 10º FEGACHULA | 16, 17 e 18 de Outubro em Farroupilha

 


    Entre os eventos artísticos que passaram a integrar oficialmente o calendário do Movimento Tradicionalista Gaúcho do Rio Grande do Sul na segunda década do século XXI, o Festival Gaúcho de Danças – FEGADAN ocupa um espaço particular. Criado em 2014, o festival nasceu a partir de uma demanda de grupos e entidades que buscavam um espaço específico para apresentar uma maneira de interpretar as danças tradicionais fundamentada nas pesquisas e nos ensinamentos dos folcloristas João Carlos Paixão Côrtes e Luiz Carlos Barbosa Lessa. A proposta procurava valorizar uma dança mais espontânea, próxima das referências do homem rural e das formas de bailar registradas pelos pesquisadores.

    A criação do FEGADAN representou, portanto, o reconhecimento institucional de uma manifestação que já vinha se desenvolvendo em diferentes rodeios e festivais do Rio Grande do Sul desde a década de 1990. O Rodeio Internacional de Vacaria, especialmente a partir de 1992, tornou-se uma referência importante nesse processo. A chamada “Carta de Vacaria” e experiências desenvolvidas por grupos que buscavam recuperar formas mais espontâneas de movimentação, interpretação e indumentária contribuíram para a consolidação do que posteriormente passou a ser conhecido como “estilo campeiro ou campesino”. As pesquisas dos dois estudiosos produziram uma extensa documentação sobre o bailar, o vestir, a música, o canto, os usos e os costumes relacionados às manifestações tradicionais do Rio Grande do Sul. 

    A primeira edição foi realizada em 2014 e a segunda, em 2015, consolidou o novo evento no calendário artístico do MTG. Em Caxias do Sul, o 2º FEGADAN reuniu 34 grupos de 15 entidades tradicionalistas, com participantes das categorias mirim, juvenil, adulta e veterana. Naquela ocasião, paralelamente ao festival, foi realizado o 1º Festival Gaúcho de Chula – FEGACHULA, destinado a ampliar a valorização e a participação nessa tradicional manifestação artística.

    A partir daí, FEGADAN e FEGACHULA passaram a construir uma trajetória própria. O festival percorreu diferentes municípios e, conforme registro histórico do MTG, suas primeiras edições foram realizadas em Caxias do Sul, seguindo-se Antônio Prado, Canoas e, posteriormente, Farroupilha. Em 2025, o FEGADAN chegou à sua 10ª edição, enquanto o FEGACHULA alcançou a 9ª, demonstrando a permanência e a expansão da proposta dentro do calendário tradicionalista.

2014 | Caxias do Sul - 25ªRT
2015 | Caxias do Sul - 25ªRT
2016 | Caxias do Sul - 25ªRT
2017 | Antonio Prado - 8ªRT
2018 | Canoas - 12ªRT
2019 | Farroupilha - 25ªRT
2020 | Pandemia 
2021 | Santa Cruz do Sul - 5ªRT
2022 | Farroupilha - 25ªRT
2023 | Farroupilha - 25ªRT
2024 | Farroupilha - 25ªRT
2025 | Farroupilha - 25ªRT
2026 | Farroupilha - 25ªRT

terça-feira, 29 de setembro de 2026

Depois de Nova York, Rogério Bastos retoma agenda de palestras pelo RS

 

    Depois de alcançar a marca de 1.000 palestras realizadas, em uma apresentação especial na Biblioteca Brasileira de Nova York, o historiador, jornalista e tradicionalista Rogério Bastos retomou sua agenda de atividades pelo Rio Grande do Sul, levando novamente aos diferentes públicos temas relacionados à história, à cultura e à identidade regional gaúcha.

    A passagem pelos Estados Unidos marcou uma etapa simbólica de uma trajetória dedicada à pesquisa, à comunicação e à difusão da cultura do Rio Grande do Sul. A palestra em Nova York integrou a programação da 2ª Caravana Gaúcha da Costa Leste e abordou aspectos da história, da cultura e da presença gaúcha fora do Estado.

    No retorno ao Estado, Bastos iniciou uma nova sequência de encontros. Em Parobé, na 22ª Região Tradicionalista, esteve no CTG Sangue Nativo, dando continuidade ao trabalho de formação e reflexão desenvolvido junto ao movimento tradicionalista. A entidade já havia sediado anteriormente atividades com a participação do palestrante, incluindo seminários voltados à preservação da tradição, do folclore e à relação entre tradição e contemporaneidade.

    A programação também incluiu uma atividade junto ao 3º CGCFEx, em que o tema central foi o gaúcho e a identidade regional. A proposta levou a discussão para além dos espaços tradicionalistas, refletindo sobre os elementos históricos, culturais e simbólicos que contribuíram para a formação das diferentes representações do gaúcho e do sentimento de pertencimento ao Rio Grande do Sul.

    Outro momento da agenda aconteceu na Escola Mãe Admirável, onde Rogério Bastos e Liliane Pappen Bastos, desenvolveram oficinas de chimarrão, aproximando pais, professores e estudantes de uma das práticas culturais mais representativas do cotidiano gaúcho. A atividade transformou o conhecimento sobre o mate em experiência prática, permitindo aos participantes conhecer aspectos relacionados à preparação, ao uso e ao significado social do chimarrão.

    A agenda de retorno também passou por Santa Maria do Herval, na 30ª Região Tradicionalista, no CTG Amigos da Tradição. No encontro, Bastos abordou o tema dos Festejos Farroupilhas do Rio Grande do Sul para 2026, “Herança Jesuíta Guarani”, estabelecendo uma relação entre história, memória, formação cultural e as múltiplas matrizes que compõem a identidade regional.

    A sequência de atividades reafirma uma característica presente na trajetória de Rogério Bastos: levar o conhecimento histórico e cultural a diferentes públicos e espaços. Depois de transformar a marca de mil palestras em um momento simbólico na capital mundial, o trabalho prossegue no território gaúcho, entre centros de tradições, instituições militares, escolas e comunidades.

    A trajetória de Bastos na área das palestras é registrada também em seu próprio trabalho de comunicação, que reúne temas como história do Rio Grande do Sul, história do tradicionalismo, Revolução Farroupilha, oficinas de chimarrão e tradição, folclore e tecnologia.


sábado, 26 de setembro de 2026

Rogério Bastos será o patrono da Feira do Livro do Instituto Gomercinda em 2026

 Jornalista, historiador, radialista e escritor, Rogério Bastos será a personalidade convidada para representar a literatura e a cultura gaúcha na edição de 2026 da Feira do Livro do Instituto Estadual de Educação Gomercinda Dornelles Fontoura, em Encruzilhada do Sul.

    A tradição literária do Instituto Estadual de Educação Gomercinda Dornelles Fontoura ganhará, em 2026, a presença de um nome cuja trajetória está profundamente ligada à comunicação, à pesquisa histórica e à preservação da cultura do Rio Grande do Sul. O jornalista, historiador, radialista e escritor Rogério Bastos será o patrono da Feira do Livro promovida pela instituição.

    A escolha aproxima duas trajetórias que têm na educação, na cultura e na valorização da memória importantes pontos de encontro. Realizada pelo Instituto, a Feira do Livro tem como um de seus principais objetivos estimular o hábito da leitura e aproximar os estudantes da literatura, dos escritores e das diferentes manifestações culturais.

    Ao longo de suas edições, o evento vem reunindo atividades voltadas à comunidade escolar, entre elas palestras, apresentações artísticas, contação de histórias, teatro e participação de escritores e convidados ligados à produção cultural. A própria escola registra, em sua trajetória, a realização da segunda edição da Feira do Livro, em abril de 2014, que contou com oficinas, a tradicional “Hora do Conto”, apresentações teatrais e palestras com escritores.

Uma trajetória dedicada à história e à cultura gaúcha

    A presença de Rogério Bastos como patrono convidado acrescenta à programação uma perspectiva voltada especialmente à história, à memória e à cultura do Rio Grande do Sul.

    Com atuação no jornalismo, no rádio e na produção literária, Bastos construiu sua trajetória profissional acompanhando e registrando acontecimentos ligados ao tradicionalismo gaúcho e à cultura popular. Seu trabalho também se estende à pesquisa histórica e à produção de conteúdos destinados à preservação da memória cultural.

    Sua atuação na área da comunicação pode ser encontrada em diferentes registros da imprensa pelo Rio Grande do Sul e pelo Brasil. Foi sob sua liderança a priemira transmissão do ENART em 2009, em 2001 apresentou o programa Entrevero de Ideias da TV Assembleia, na Radio Rural am 1120 teve dois programas, produziu e dirigiu o jornal Eco da Tradição do MTG por muitos anos, varios podcasts (papo Gigante no Internacional e o Saberes & Fazeres da Comissão Gaúcha de Folclore), além dos programas nas radios Web Quero-quero e Eco da Tradição.

    A relação do jornalista com a pesquisa histórica também está documentada em trabalhos dedicados à trajetória do Movimento Tradicionalista Gaúcho. Publicação especial do livro dos 50 anos do MTG, e agora dos 60 anos, além de reeditar muitas obras em sua empresa (Bastos Produções ao lado de Liliane Pappen, sua esposa).

Literatura como caminho para conhecer o próprio passado

    A escolha de um profissional que transita entre jornalismo, história, rádio e literatura reforça uma das características da Feira do Livro: apresentar aos estudantes diferentes caminhos de acesso ao conhecimento.

    Para Rogério Bastos, a literatura e a história caminham lado a lado na preservação da memória. Ao pesquisar personagens, acontecimentos, manifestações culturais e trajetórias de instituições, o escritor transforma documentos, relatos e lembranças em narrativas capazes de aproximar novas gerações do passado.

    Nesse contexto, sua participação deverá proporcionar aos estudantes uma oportunidade de conhecer não apenas o escritor, mas também o trabalho de pesquisa e comunicação desenvolvido por quem há décadas acompanha a cultura e o tradicionalismo do Rio Grande do Sul.

Uma feira que ultrapassa os livros

    A Feira do Livro do Instituto Gomercinda tem uma característica que vai além da comercialização ou exposição de obras. Ela transforma a escola em espaço de encontro entre estudantes, professores, escritores, artistas e comunidade.

    Em iniciativas anteriores, a programação do município também incluiu palestras com escritores, apresentações culturais, teatro, contação de histórias e outras atividades destinadas ao público escolar. É nesse ambiente de incentivo à leitura, à criatividade e à formação cultural que Rogério Bastos chega à edição de 2026 como patrono.

    "Tu és especial para a nossa escola pela tua história, pela tua caminhada e, principalmente, pela maneira como te relacionas com a educação e com as pessoas. Existe uma identificação, um carinho e uma história que fazem com que tua presença tenha um significado diferente. Eu acredito que era o momento de escolher alguém que tivesse uma história para contar, algo para representar e uma presença que pudesse tornar a nossa Feira ainda mais especial" - Disse Cris Rosa, em mensagem.

    Para os estudantes do Instituto Estadual de Educação Gomercinda Dornelles Fontoura, a feira será também uma oportunidade de conversar com alguém que fez da palavra — escrita, falada e registrada — uma ferramenta de trabalho e de preservação da memória.

    Em 2026, os livros ganham voz, a história ganha narrativa e a cultura gaúcha encontra espaço entre as páginas da Feira do Livro do Instituto Gomercinda.


quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Chegamos a marca de 6.000.000 de pageviews - Obrigado, pela confiança!

     Criado há 19 anos, blog nasceu como uma simples agenda de viagem à Alemanha e transformou-se em um importante espaço de informação sobre cultura, folclore e tradição gaúcha.

    Seis milhões de visualizações. 

    O número representa muito mais do que uma estatística para o Rogério Bastos - Notícias do Tradicionalismo Gaúcho. É a marca de uma trajetória construída ao longo de 19 anos, acompanhando acontecimentos, personagens, entidades e movimentos que ajudam a contar a história do tradicionalismo, do folclore e da cultura do Rio Grande do Sul.

    A história do blog começou de uma maneira bastante diferente. Em 2007, a ideia inicial era criar um espaço na internet que funcionasse como uma espécie de agenda pessoal para registrar uma viagem à Alemanha, realizada junto ao Grupo de Arte Nativa Anita Garibaldi, de Encantado. Era, naquele momento, uma experiência nova: utilizar a internet para compartilhar informações, impressões e registros de uma viagem internacional para meus pais ficarem sabendo de meus passos na Europa, visto que uma ligação era uma fortuna.

O que nasceu como uma agenda de viagem, entretanto, ganhou novos caminhos.

    Com o passar do tempo, o espaço virtual passou a reunir notícias, acontecimentos e informações relacionadas ao tradicionalismo gaúcho. A experiência adquirida na cobertura dos eventos e o contato permanente com pesquisadores, artistas, dirigentes, tradicionalistas e entidades fizeram com que o blog assumisse uma nova identidade. Assim surgiu, gradativamente, um veículo voltado à divulgação de notícias, histórias, personagens, folclore, cultura popular e manifestações da tradição gaúcha.

    Ao longo de quase duas décadas, o blog acompanhou diferentes momentos do movimento tradicionalista, da CBTG, CITG e da Comissão Gaucha de Folclore. Registrou eventos, encontros, festivais, rodeios, apresentações artísticas, atividades campeiras e iniciativas culturais. Também abriu espaço para personagens que, muitas vezes, fazem a história acontecer longe dos grandes holofotes.

Mais do que publicar notícias, a proposta passou a ser também a de preservar a memória.

Em um universo cultural marcado pela transmissão de conhecimentos entre gerações, cada fotografia, entrevista, notícia ou registro publicado pode se transformar, com o tempo, em uma fonte de pesquisa. É nesse sentido que o blog foi ampliando sua importância: aquilo que inicialmente era apenas uma publicação na internet passou a formar um acervo digital da cultura e do tradicionalismo gaúcho.

A marca dos quatro dígitos: Realizei minha palestra de número 1.000

 Mil Vezes Obrigado: O dia em que subi ao palco pela milésima vez

Durante o Festival Gaúcho Norte-americano, a Caravana Farroupilha e a Mateada na Times Square 2026, a celebração da milésima palestra do tradicionalista gaúcho, na Biblioteca Brasileira, nos Estados Unidos, simboliza a expansão da cultura do Rio Grande do Sul para além das fronteiras brasileiras.

 

   A história de uma trajetória dedicada à pesquisa, à divulgação e à valorização da cultura gaúcha alcançou um marco especial em Nova York. Durante o Festival Gaúcho Norte-americano, Rogério Bastos realizou sua milésima palestra na Biblioteca Brasileira, em uma atividade que reuniu a tradição do Rio Grande do Sul, a presença do Conjunto Folclórico Arte Nativa e a participação do chuleador Kailon Pereira.

    Mais do que uma contagem expressiva de apresentações, a marca representa décadas de dedicação à comunicação da história, dos costumes e das manifestações culturais do tradicionalismo e do folclore gaúcho. O fato de a palestra de número mil ter sido realizada nos Estados Unidos, em meio a uma programação voltada à cultura gaúcha, acrescenta um significado simbólico à trajetória: o conhecimento construído no Rio Grande do Sul encontra novos públicos e estabelece conexões com comunidades e admiradores da cultura brasileira no exterior.

Uma trajetória iniciada em 1997

    A história dessa caminhada teve seu ponto de partida em 1997, no município de São Francisco de Assis, durante o 1º Docencontro do Tradicionalismo na Educação Especial, evento organizado por Bruna Medeiros, então 1ª Prenda da 10ª Região Tradicionalista. Na ocasião, Rogério Bastos realizou sua primeira palestra ao lado do deputado Jarbas Lima.

    Desde aquela primeira experiência, a atividade de palestrante passou a integrar uma trajetória de participação na difusão do tradicionalismo, conectando diferentes gerações, espaços educativos e ambientes de valorização da cultura regional. O percurso entre a primeira palestra e a milésima apresentação evidencia a continuidade de um trabalho desenvolvido ao longo de décadas entre escolas, CTGs, Centros culturais, teatros, bibliotecas, lonões de semanaas farroupilhas, simples galpões, Senado Federal, Camara de Vereadores, entre tantos outros lugares.

    A celebração em Nova York estabelece, assim, uma ligação entre dois momentos distintos: a iniciativa que nasceu em um encontro dedicado à educação especial e o reconhecimento de uma marca alcançada em território norte-americano, diante de uma programação voltada às tradições gaúchas.

A cultura gaúcha atravessando fronteiras

    A presença da Caravana Farroupilha nos Estados Unidos, com a participação do Conjunto Folclórico Arte Nativa, das meninas Pampeanas com a Cristina Sorrentino e do campeoníssimo chuleador Kailon Pereira, amplia o significado cultural da ocasião. A palestra de Rogério Bastos e Liliane Pappen integra um conjunto de manifestações que levam à comunidade brasileira e aos públicos interessados a música, a dança, a oralidade, a história e as expressões tradicionais do Rio Grande do Sul.

    Realizar a milésima palestra na Biblioteca Brasileira, em Nova York, permite associar a marca pessoal do palestrante a um contexto de circulação internacional da cultura gaúcha. A biblioteca, enquanto espaço relacionado ao conhecimento, à memória e à preservação cultural, constitui um cenário simbólico para uma atividade que tem na transmissão de saberes um de seus fundamentos.

    A experiência também evidencia como as manifestações culturais podem ser apresentadas fora de seu território de origem, mantendo vínculos com suas referências históricas e sociais. Nesse processo, o tradicionalismo gaúcho encontra novos espaços de convivência, apresentação e diálogo cultural.


   Um marco construído ao longo de quase três décadas

    Entre 1997 e a realização da milésima palestra em 2026, são aproximadamente 29 anos de trajetória. A marca reúne experiências desenvolvidas em diferentes localidades e contextos, desde o primeiro encontro em São Francisco de Assis até a atividade realizada em Nova York.

    A passagem por esses dois momentos oferece uma narrativa de continuidade: de um evento ligado ao projeto da prenda, sobre o tema anual (criador por ele e aprovado em congresso tradicionalista) no interior do Rio Grande do Sul, a uma apresentação em território internacional, integrada à Caravana Farroupilha, representando um registro significativo da caminhada  como palestrante e divulgador da cultura gaúcha, especialmente por ter sido alcançada em uma atividade que reuniu diferentes formas de expressão artística e cultural do Estado.

    Entregando o livro do saudoso Barbosa Lessa, pai da Valeria, que organizou o grande evento, e a próxima presidente da Confederação Norte-Americana do Tradicionalismo Gaúcho Brasileiro, para o Diretor das Churrascarias Fogo de Chão, nos EUA, Vanderlei Melchior, que nos deu todo apoio durante o evento. 

    Mil vezes... obrigado!


O menino que voa - Kailon Jacob Pereira


 Kailon Jacob Pereira transformou o sapateio da chula em espetáculo, colecionou títulos e levou o nome de Lagoa Vermelha para além das fronteiras do Rio Grande do Sul

    Há momentos em que a tradição parece ganhar asas.

    Quando Kailon Jacob Pereira entra na roda, coloca o chapéu, ajeita a postura e encara o tablado, o que se vê não é apenas um jovem executando uma dança. É um corpo que desafia o chão, um sapateio que acelera, um salto que parece suspender o tempo e, por alguns instantes, transforma o chuleador em uma figura que literalmente parece voar.

Talvez por isso o título deste capítulo não pudesse ser outro: O menino que voa.

    Aos 17 anos, Kailon já construiu uma trajetória que muitos levam décadas para alcançar. Natural de Lagoa Vermelha, cidade reconhecida nacionalmente como referência da dança da chula e ao churrasco, ele integra o CTG Alexandre Pato e está ligado ao movimento tradicionalista há mais de 10 anos. Começou a competir na chula ainda nas categorias pré-mirins.

    O menino que começou pequeno foi crescendo diante da lança e dos desafios, do sapateio e dos aplausos. E, com o passar dos anos, seus passos foram ganhando precisão, velocidade e personalidade. 

Uma coleção de títulos

A caminhada competitiva de Kailon revela uma sequência expressiva de conquistas.

No 38º ENART, em 2025, realizado em Santa Cruz do Sul, ele chegou ao lugar mais alto do pódio na Chula, superando seus qualificadíssimos concorrentes. A conquista colocou o nome de Kailon entre os grandes vencedores de uma das principais competições artísticas do tradicionalismo gaúcho.

    Poucos meses depois, veio outro momento marcante. No 36º Rodeio Crioulo Internacional de Vacaria, em fevereiro de 2026, Kailon conquistou o título de campeão da Chula Juvenil. Mas a história já vinha sendo escrita antes. No 16º FENART – Festival Nacional de Arte e Tradição Gaúcha, realizado em Cristalina, Goiás, em julho de 2025, Kailon foi campeão da Chula Juvenil. A presença no FENART não era novidade. Em 2023, ainda na categoria juvenil, Kailon já havia chegado ao segundo lugar no festival nacional.

E veio o Juvenart.

    Em 2025, ele conquistou seu primeiro título na competição. Em 2026, repetiu a façanha e tornou-se bicampeão do Juvenart, encerrando sua trajetória na categoria juvenil com duas conquistas consecutivas. É uma sequência que ajuda a compreender a dimensão de sua trajetória: ENART, FENART, Rodeio de Vacaria e Juvenart. Em diferentes palcos e diante de diferentes públicos, o mesmo menino, a mesma lança de desafio e a mesma dança.

O salto que parece voo

A chula exige muito mais do que habilidade nos pés.

Há ritmo, equilíbrio, concentração, domínio corporal e uma relação precisa com o espaço. O chuleador precisa fazer do movimento uma linguagem. Cada sapateio tem sua marca; cada giro precisa encontrar o tempo da música; cada salto exige controle sem tocar na lança. No caso de Kailon, os movimentos aéreos se tornaram uma das imagens mais marcantes de sua apresentação.

Ele gira, salta, cruza o espaço e retorna ao chão como se a gravidade fosse apenas um detalhe.

É nesse instante que nasce a imagem do menino que voa.

Mas o voo de Kailon não começou no palco. Antes de cada apresentação existe uma rotina de ensaios. E há algo particularmente bonito nessa história: mesmo depois de alcançar o topo, Kailon começou também a olhar para quem está começando. Além de competir, passou a ministrar aulas e acompanhar o desenvolvimento de novos jovens chuleadores, ajudando a transmitir aquilo que aprendeu.

Os pés no chão

    Talvez a melhor definição de Kailon esteja justamente no contraste. Ele voa no tablado, mas mantém os pés no chão na vida. A fama passageira dos aplausos não parece ser o centro de sua caminhada. Por trás dos troféus existe um jovem que reconhece a importância de quem caminha ao seu lado — especialmente a família, os professores, o CTG e todos aqueles que ajudam a manter viva a tradição.

    E, acima de tudo, existe a fé.

    Em sua caminhada, a gratidão a Deus aparece como um valor que acompanha as conquistas. O troféu pode ser levantado pelas mãos do campeão, mas a vitória, para Kailon, é compartilhada com aqueles que o sustentam quando as luzes do palco se apagam. É uma maneira de compreender o sucesso que combina com a própria essência da tradição: ninguém dança sozinho. 

"Só tenho a agradecer... A Deus por me proporcionar essa chance e me abençoar nesses dias. Agradeço do fundo do meu coração meus pais que são meus alicerces e me incentivaram em momentos em que até eu duvidei da minha capacidade e não medem esforços nenhum para me ver feliz, amo vocês, obrigado por tudo! Ao Eduyri Pereira, meu irmão, meu melhor amigo que está sempre torcendo por mim independente da situação, e é verdade que as vezes acabamos nos desentendendo mas, mesmo assim, tu sempre vai ser meu porto seguro, você meu mano é uma inspiração para mim e não consigo me imaginar sem seu apoio, tenho orgulho de poder falar que tenho um irmão como você, obrigado por tudo!" - agradeceu Kailon em suas redes sociais.


De Lagoa Vermelha para o mundo

    Em setembro de 2026, a trajetória ganhou uma dimensão internacional. Kailon atravessou as fronteiras do Brasil e levou a chula até a Times Square, em Nova York, onde se apresentou durante o Dia do Gaúcho, em 20 de setembro, integrando a Caravana Gaúcha da Costa Leste, que percorreu sete estados norte-americanos. A apresentação representou uma nova etapa de uma caminhada que começou ainda na infância, em Lagoa Vermelha.

    É uma imagem poderosa: o menino que aprendeu a dançar chula em sua terra natal, onde a modalidade faz parte da identidade cultural da comunidade, agora sapateando diante das luzes de uma das esquinas mais conhecidas do mundo.

    E talvez seja essa a grande história de Kailon Jacob Pereira. Não apenas a história de um campeão, mas a de um jovem que aprendeu cedo que tradição não é algo parado no tempo. É movimento. É transmissão. É dedicação. É fé. É família. É comunidade.

    E é também a coragem de saltar. Kailon salta. Gira no ar. Por um instante, parece voar. Depois, volta ao chão — exatamente onde sua história começou. Com os pés firmes na tradição, os olhos voltados para o futuro e o coração agradecido a Deus e àqueles que fizeram parte de sua caminhada. O menino que voa continua dançando. E, a cada salto, leva consigo o nome de Lagoa Vermelha, o orgulho de sua família, amigos, admiradores e a força de uma tradição que aprendeu a atravessar fronteiras.


Nota do BLOG: Um jovem que tive a grata satisfação de conviver, juntamente com seu irmão, na viagem aos Estados Unidos. Humilde, educado, sempre ao lado do mano, com certeza orgulhou sua familia, cidade e todos que sempre acreditaram em seu talento. Ele fez questão de mandar a foto que tiramos juntos no III Encontro Internacional da Tradição Gaúcha em 2017, no CTG Alexandre Pato - Em Lagoa Vermelha.

terça-feira, 8 de setembro de 2026

Valéria Lessa é eleita Presidente da CNATGB gestão 2027–2028

     A Confederação Norte-Americana do Tradicionalismo Gaúcho Brasileiro – CNATGB inicia um novo capítulo de sua trajetória com a eleição de Valéria Lessa para a Presidência da entidade na gestão 2027–2028.

    A eleição marca a renovação administrativa da Confederação e a continuidade de um trabalho desenvolvido há mais de duas décadas em defesa da preservação, promoção e difusão da cultura e das tradições gaúchas na América do Norte.

Valéria Lessa: uma trajetória dedicada à cultura gaúcha

    Natural de Porto Alegre e filha do escritor, folclorista e tradicionalista Luiz Carlos Barbosa Lessa, um dos fundadores do Movimento Tradicionalista Gaúcho moderno, Valéria Lessa cresceu cercada pela cultura, pela história e pelas manifestações tradicionais do Rio Grande do Sul.

    Sua trajetória no tradicionalismo começou ainda jovem, participando de atividades culturais e artísticas e acompanhando de perto o trabalho de pesquisa, preservação e divulgação da cultura gaúcha desenvolvido por sua família.

    Radicada nos Estados Unidos desde 1989, Valéria transformou a distância geográfica em uma oportunidade de aproximação com suas raízes. Ao longo dos anos, passou a atuar na promoção da cultura brasileira e gaúcha, especialmente junto às novas gerações e às comunidades brasileiras no exterior.

    Foi responsável pela criação e desenvolvimento de diferentes iniciativas culturais, entre elas o Brasil Tchê Troupe, projeto dedicado à transmissão da cultura brasileira às crianças e jovens nos Estados Unidos. Posteriormente, a iniciativa foi ampliada e reinventada como Mundo Tchê, formando uma comunidade cultural que utiliza também os meios digitais para conectar gaúchos e admiradores da tradição em diferentes partes do mundo.

    Sua atuação inclui a organização e promoção de encontros, apresentações, projetos educativos, atividades comunitárias e iniciativas de integração do tradicionalismo gaúcho na América do Norte.

    Em 2026, esteve diretamente envolvida como diretora cultural do Festival Gaúcho Norte-Americano, organizadora da Mateada Internacional 2026 e de ações destinadas a ampliar a conexão entre as comunidades gaúchas, culminando em iniciativas de grande visibilidade para a cultura gaucha na America do Norte. 

Uma gestão voltada à organização e ao futuro

    Sob a Presidência de Valéria Lessa, juntamente com Renato Machado Bermann, Selma Rocha De Avila e Sergio Vasques, a nova Diretoria Executiva assume com a proposta de unir experiência e renovação, preservar o legado construído pelas gerações anteriores e preparar a CNATGB para os próximos anos.

    Para o biênio 2027–2028, uma das principais propostas será a implantação de um amplo Projeto de Administração e Governança Institucional da CNATGB.

    O objetivo é modernizar a estrutura da Confederação e estabelecer regras, responsabilidades e mecanismos de participação mais claros.

    O projeto prevê a construção e revisão de instrumentos fundamentais, incluindo a Carta de Princípios, Estatuto, Regulamento Geral, Código de Ética, Política de Conflito de Interesses e estrutura de departamentos, além da definição das atribuições, direitos e responsabilidades das entidades integrantes da CNATGB.

    O processo será realizado de forma gradual e participativa, por meio de um cronograma de deliberações ao longo de 2027, permitindo que as entidades contribuam para a construção das novas diretrizes institucionais.

    Esse trabalho deverá culminar em uma Assembleia Geral em janeiro de 2028, consolidando uma nova etapa na organização institucional da Confederação.

Integração das entidades e planejamento conjunto

    Outro objetivo da nova Diretoria será ampliar a comunicação e a integração entre as organizações e comunidades que promovem a cultura gaúcha na América do Norte.

    Entre as propostas está a criação de um calendário tradicionalista anual integrado, reunindo eventos, encontros, atividades culturais, congressos e projetos das diferentes entidades.

    A gestão também pretende incentivar iniciativas nas áreas de cultura, educação, juventude, comunicação, memória e patrimônio, eventos e relações institucionais, fortalecendo a participação das novas gerações e a transmissão da tradição no mundo.

Tradição além das fronteiras

    Desde sua fundação, a CNATGB acompanha uma realidade em constante transformação. O tradicionalismo gaúcho ultrapassou fronteiras e hoje reúne comunidades, famílias, novas gerações e admiradores da cultura do Rio Grande do Sul em diferentes regiões da América do Norte.

    Para a gestão 2027–2028, o desafio será transformar essa expansão norte americana e mundial em uma rede cada vez mais organizada, participativa e integrada.

domingo, 6 de setembro de 2026

Rui Rodrigues é o patrono dos Festejos Farroupilhas de Sant’Ana do Livramento

Rui Rodrigues: uma vida dedicada à cultura, à tradição e à fronteira

    A história dos Festejos Farroupilhas de Sant’Ana do Livramento, em 2026, terá como patrono um homem cuja trajetória se confunde com a própria construção cultural da fronteira. Gestor cultural, pesquisador do folclore, professor universitário, tradicionalista e contador aposentado, Rui Francisco Ferreira Rodrigues chega à condição de patrono levando consigo mais de 35 anos de atuação em defesa da cultura, da tradição e da identidade regional.

    Membro efetivo da Comissão Gaúcha de Folclore, Rui Rodrigues tem dedicado parte significativa de sua trajetória à pesquisa, à preservação e à salvaguarda do patrimônio imaterial do Rio Grande do Sul. Sua atuação, entretanto, nunca ficou restrita à pesquisa. Ao longo das décadas, ele esteve à frente de entidades, eventos, projetos culturais e iniciativas que transformaram ideias em ações concretas.

Na fronteira, sua caminhada tradicionalista começou de maneira particularmente significativa com a fundação, em 1986, do CTG Presilha do Pago da Vigia, entidade da qual foi patrão e gestor artístico. Sob sua liderança, grupos de dança da entidade alcançaram classificações consecutivas em importantes concursos do tradicionalismo gaúcho, entre eles o FEGART e o ENART.

    A experiência adquirida dentro das entidades tradicionalistas levou Rui a ocupar outros espaços de liderança. Foi presidente da Associação Tradicionalista de Sant’Ana do Livramento e coordenador regional da 18ª Região Tradicionalista, participando da articulação e integração de dezenas de entidades. Também presidiu a Associação dos Artistas e Fazedores de Cultura de Sant’Ana do Livramento, ampliando sua atuação para o conjunto da produção cultural do município.

    A fronteira, para Rui, nunca foi apenas uma linha no mapa. Foi, sobretudo, um território de encontros, intercâmbios e possibilidades. Essa visão esteve presente em sua participação na Semana Farroupilha Internacional de Sant’Ana do Livramento, onde exerceu, entre 2009 e 2014, as funções de coordenador-geral e captador de recursos. Naquele período, esteve envolvido com planejamento, logística, orçamento e articulação das relações culturais binacionais.

    Sua atuação internacional ganhou um capítulo especial com a participação no Acendimento da 1ª Chama Crioula Internacional, em Colônia do Sacramento, no Uruguai, iniciativa que simbolizou a aproximação cultural entre brasileiros e uruguaios a partir de uma das maiores referências do tradicionalismo gaúcho.

    O intercâmbio cultural também levou Rui Rodrigues a dirigir grupos artísticos em festivais internacionais de folclore na Argentina e no Uruguai. Invernadas artísticas de Sant’Ana do Livramento participaram de eventos em cidades como General Belgrano e Santiago del Estero, levando a dança, a música e os costumes do Rio Grande do Sul para outros territórios do Mercosul.

    Mas sua contribuição à cultura santanense não se resume ao tradicionalismo organizado. Rui foi criador e produtor de eventos que passaram a integrar o calendário cultural da região, entre eles o Rodeio Cultural de Sant’Ana do Livramento, o Festival Uma Canção para Sant’Ana do Livramento, o CATY, o Festival Frangos, Vinho e Queijos e o Rodeio de Declamadores da Fronteira Oeste.

    Também está ligado a iniciativas que aproximam cultura, turismo e economia criativa. À frente da Associação Santanense Ovino e Vinho, trabalhou na criação de projetos de turismo identitário, valorizando produtos, sabores, histórias e manifestações que fazem da fronteira um espaço cultural singular.

    A preocupação com a preservação da memória também aparece em um de seus projetos de maior significado simbólico: Rui Rodrigues foi o idealizador e gestor responsável pela aprovação, por meio da Lei de Incentivo à Cultura, do projeto do Monumento a Paixão Côrtes, contribuindo para transformar a homenagem a um dos grandes nomes da cultura gaúcha em patrimônio material da região.

    Sua experiência técnica, por sua vez, sempre caminhou lado a lado com a sensibilidade cultural. Bacharel em Ciências Contábeis, pós-graduado em capacitação para o ensino de terceiro grau e professor universitário do curso de Ciências Contábeis, Rui encontrou na administração, no planejamento e na gestão financeira ferramentas para viabilizar projetos culturais. A experiência como contador e especialista em orçamento e custos tornou-se um diferencial na elaboração, execução e prestação de contas de projetos culturais.

    Essa combinação entre cultura e gestão fez dele também um nome reconhecido no desenvolvimento de projetos pela Lei de Incentivo à Cultura. Atualmente, sua experiência é compartilhada com entidades tradicionalistas de todo o Estado por meio do projeto Vivências de Galpão, iniciativa ligada ao Movimento Tradicionalista Gaúcho na qual atua como painelista e palestrante, contribuindo para discutir o potencial turístico e cultural dos galpões e das entidades tradicionalistas.

    A educação também ocupa espaço importante nessa trajetória. Rui Rodrigues esteve envolvido em projetos de transmissão de conhecimentos e inclusão cultural, entre eles Tropa de Osso para Crianças, Brincadeira de Criança e História Riograndense nas Escolas, além de ter fundado o Coral Tradicionalista Vozes do Pampa.

    Ao escolher Rui Francisco Ferreira Rodrigues como patrono dos Festejos Farroupilhas de Sant’Ana do Livramento em 2026, a comunidade reconhece, portanto, uma trajetória construída em diferentes frentes. Do galpão à universidade, do folclore à gestão cultural, dos projetos sociais aos grandes eventos, do Rio Grande do Sul ao Mercosul, sua caminhada tem um elemento permanente: a valorização da identidade e da cultura como instrumentos de pertencimento e desenvolvimento.

    Patrono é aquele que representa, simboliza e inspira. E Rui Rodrigues chega aos Festejos Farroupilhas de 2026 com uma história que oferece exatamente isso: a memória de quem ajudou a construir a cultura de sua terra e o exemplo de quem continua trabalhando para que essa cultura seja conhecida, preservada e vivenciada pelas novas gerações.

    Em uma cidade onde Brasil e Uruguai se encontram diariamente, a escolha ganha ainda um significado especial. Afinal, a cultura da fronteira não termina onde acaba um país. Ela atravessa pontes, praças, galpões e gerações.

    É nesse território de encontros que Rui Francisco Ferreira Rodrigues construiu sua trajetória. E é justamente por essa caminhada que, em 2026, ele será a referência maior dos Festejos Farroupilhas de Sant’Ana do Livramento.