segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Tradicionalismo: Uma força que move o Rio Grande


     As transformações tecnológicas, as novas formas de comunicação, as mudanças nas relações familiares, no trabalho, na educação e no comportamento social já vinham produzindo impactos importantes. A pandemia de Covid-19 acelerou muitos desses processos e deixou marcas que ainda podem ser percebidas na maneira como as pessoas se relacionam, trabalham, estudam, convivem e participam das comunidades.

O tradicionalismo também sentiu essas mudanças.

    Os espaços de convivência foram interrompidos. As atividades presenciais desapareceram durante um período. Famílias e comunidades passaram por perdas, dificuldades econômicas e transformações emocionais. Crianças e jovens cresceram em uma realidade diferente daquela vivida pelas gerações anteriores. A tecnologia passou a ocupar ainda mais espaço no cotidiano e as formas tradicionais de pertencimento passaram a disputar atenção com inúmeras outras possibilidades de relacionamento e entretenimento.

    Diante disso, talvez o maior desafio do Movimento Tradicionalista Gaúcho não seja simplesmente preservar aquilo que existe, mas compreender aquilo que mudou.

    O tradicionalismo não pode existir apenas para responder à pergunta sobre qual Centro de Tradições Gaúchas é melhor, qual grupo dança melhor, qual entidade possui mais títulos ou qual região acumula mais conquistas. A competição, quando faz parte de uma atividade cultural ou esportiva organizada, pode estimular dedicação, disciplina e aperfeiçoamento. Mas ela não pode ser confundida com a razão maior de existir do movimento. Um CTG não deveria ser apenas um palco. Deve continuar sendo casa.

    Um lugar onde alguém possa chegar e ser recebido. Onde uma criança encontre referências. Onde um jovem encontre amigos e responsabilidades. Onde uma família encontre acolhimento. Onde os mais velhos possam transmitir experiências e alguém que atravessa uma dificuldade possa encontrar uma mão estendida. É nesse sentido que a ideia de grupo local, defendida por Barbosa Lessa, ganha nova força.

    O tradicionalismo continuará relevante se conseguir permanecer próximo das pessoas e atento às necessidades de seu tempo. Seus valores, usos e costumes não devem ser vistos como peças de um museu, mas como instrumentos capazes de contribuir para a formação de cidadãos.

    Respeito, responsabilidade, solidariedade, honestidade, hospitalidade, valorização da família, cuidado com o próximo, compromisso com a comunidade, disciplina, trabalho coletivo e orgulho de uma identidade cultural são valores que não pertencem apenas ao passado. Continuam necessários em qualquer sociedade.

    Depois de produzir quase uma centena de livros, entre eles o dos 50 e 60 anos do MTG, de palestrar centenas de oportunidades, fazer transmissões, de arte e cultura pela internet, produzir programas de televisão e de rádio, aprendi com bons professores como o Lessa, Savaris, Paixão, Nico, Lilian Argentina, entre outros que pude conviver, que o tradicionalismo gaúcho está naquilo que fazemos, nas ações que realizamos, na inquietude da alma, mas principalmente, no respeito, na humildade, na empatia com nossos semelhantes. Cargos e títulos se vão, mas o que fica é o legado, o impacto positivo e a transformação que deixamos na vida das pessoas. 


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