quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Quando se chega ao poder só por chegar - Sem liderança, somente vaidades

    Chegar ao poder apenas pelo desejo de chegar — para satisfazer uma vaidade pessoal — é um fenómeno recorrente na história política, empresarial e social. Nesses casos, o cargo transforma-se num fim em si mesmo, e não num meio para 𝐬𝐞𝐫𝐯𝐢𝐫, 𝐭𝐫𝐚𝐧𝐬𝐟𝐨𝐫𝐦𝐚𝐫 𝐨𝐮 𝐨𝐫𝐢𝐞𝐧𝐭𝐚𝐫. A ambição deixa de estar ligada a um projeto coletivo ou a uma visão de futuro e passa a centrar-se exclusivamente no prestígio, na visibilidade e na sensação de superioridade que a posição oferece.

    𝐐𝐮𝐚𝐧𝐝𝐨 𝐞𝐬𝐬𝐞 𝐨𝐛𝐣𝐞𝐭𝐢𝐯𝐨 é 𝐚𝐥𝐜𝐚𝐧ç𝐚𝐝𝐨, 𝐫𝐞𝐯𝐞𝐥𝐚-𝐬𝐞 𝐫𝐚𝐩𝐢𝐝𝐚𝐦𝐞𝐧𝐭𝐞 𝐨 𝐯𝐚𝐳𝐢𝐨 𝐪𝐮𝐞 𝐨 𝐬𝐮𝐬𝐭𝐞𝐧𝐭𝐚. Quem buscava apenas o título ou o status descobre que o poder exige muito mais do que presença ou autoridade formal. A ausência de preparação, de sentido estratégico e de compromisso com os outros torna-se evidente. O cargo foi conquistado, mas não há clareza sobre o que fazer com ele, nem consciência da responsabilidade que o acompanha.

    A falta de atitudes de liderança manifesta-se em decisões frágeis, na incapacidade de ouvir, na fuga às responsabilidades e, muitas vezes, na transferência de culpas. Liderar implica servir, inspirar e assumir riscos em nome de um bem maior. No entanto, para quem só queria o cargo, essas exigências tornam-se incómodas. Governa-se pela aparência, não pelo exemplo; pela manutenção da imagem, não pela construção de resultados. Manoelito Savaris dizia: Liderar é ouvir todos e tomar decisões em momentos de solidão - Nunca passar a responsabilidades para os outros.

    No fim, o poder alcançado por vaidade tende a desgastar-se rapidamente. Sem propósito, o cargo perde sentido e a figura que o ocupa perde credibilidade. A verdadeira liderança não nasce do desejo de ser visto no topo, mas da vontade de servir e fazer a diferença a partir dele. Onde há apenas ambição pessoal, dificilmente haverá legado — apenas a lembrança de uma oportunidade desperdiçada.

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