quarta-feira, 24 de junho de 2026

Nota de falecimento - Adão Bernardes

     Com profundo pesar, registramos o falecimento de Adão Pedro Bernardes, uma
das grandes referências da trova, da poesia, da canção e da pajada no Rio Grande do Sul. Nascido em São Francisco de Paula, em 28 de junho de 1959, construiu uma trajetória marcada pelo talento e dedicação à cultura gaúcha, deixando mais de 100 composições gravadas e inúmeras conquistas em festivais e rodeios pelo Brasil.

    Poeta, compositor, intérprete e pajador premiado, Adão Bernardes eternizou sua arte em livros, CDs e na memória de todos que tiveram o privilégio de conhecer sua obra. Sua partida deixa uma grande lacuna no cenário cultural gaúcho, mas seu legado permanecerá vivo através dos versos, canções e ensinamentos que compartilhou ao longo da vida. Escreveu e publicou livros connosco pela Bastos Produções e costumava indicar para outros trabalhos.

    Nossos sentimentos aos familiares, amigos e admiradores. Que sua memória siga inspirando as futuras gerações de trovadores e artistas da nossa tradição.

sábado, 20 de junho de 2026

Loja da FCG amplia acesso à produtos tradicionalista nos eventos do Estado

  

     Dando continuidade a um trabalho iniciado por Gerciliano Alves de Oliveira na década de 1990, Mariana Matusiak e Marlon Moura vêm levando a Loja da Fundação Cultural Gaúcha aos mais diversos eventos realizados pelo Rio Grande do Sul.

    Embora, em um primeiro momento, a iniciativa possa ser vista apenas como uma ação comercial, seu propósito vai muito além da venda de produtos. A presença da Loja nos eventos possibilita que obras fundamentais da bibliografia dos concursos do MTG cheguem a regiões onde o acesso seria mais difícil, seja pela distância, seja pelos custos de envio.

    Além disso, a própria Fundação Cultural Gaúcha tem atuado na reprodução de títulos que se encontravam esgotados, garantindo que pesquisadores, tradicionalistas e interessados na cultura gaúcha continuem tendo acesso a obras consideradas essenciais para a preservação e a difusão do conhecimento.

    Dessa forma, a Loja da Fundação Cultural Gaúcha cumpre um importante papel cultural, aproximando o público de publicações históricas e fortalecendo a disseminação da literatura ligada às tradições do Rio Grande do Sul. Hoje, ela está presente no Grêmio Sargento Expedicionário Geraldo Santana, cujo departamento de tradição e folclore, CTG Glaucus Saraiva, é anfitrião da Ciranda e Entrevero da 1ªRT.


Foto: Marlon Moura

domingo, 14 de junho de 2026

Moser apresenta proposta de gestão para o MTG 2027

Carlos Moser, atual Coordenador da 30ªRT, apresentou, na noite do dia 11, no CTG Palanques da Tradição, em Campo Bom, propostas de gestão para o MTG destacando planejamento, inovação e fortalecimento do tradicionalismo gaúcho.

    Com foco no diálogo, organização e valorização das entidades tradicionalistas, Carlos Moser apresentou sua proposta de gestão para o Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG), com a perspectiva de conduzir o movimento a partir de 2027. A iniciativa está baseada na experiência que Moser acumulou ao longo de décadas de participação no tradicionalismo organizado, com atuação em diferentes funções dentro da estrutura do MTG.


    A proposta apresentada reúne uma série de ações voltadas à modernização administrativa e ao fortalecimento institucional do movimento. Entre as ideias estão a criação de novas ferramentas digitais, como um aplicativo com programa de benefícios, a informatização dos eventos, a retomada de canais de comunicação e a revisão de estruturas internas para tornar a gestão mais eficiente e participativa. 

   Outro ponto destacado é a ampliação do protagonismo do MTG em espaços de representação e parceria institucional, além da valorização das Coordenadorias Regionais, Conselheiros, jovens tradicionalistas, patrões e famílias que integram os Centros de Tradições Gaúchas. 

    A proposta também prevê avanços em áreas culturais, campeiras, esportivas e artísticas, buscando maior integração entre todos os segmentos.

    Diversos tradicionalistas oriundos de várias partes do estado estiveram presentes prestigiando a apresentação das propostas de Moser, junto com pessoas que deverão compor sua diretoria. Autoridades de municípios que compõe a 30ªRT estiveram, também, dando seu apoio à candidatura do atual coordenador.

    Ao apresentar suas ideias, Moser ressaltou que a decisão de colocar seu nome à disposição é resultado de uma longa reflexão sobre a importância de conduzir o movimento pautado pelo planejamento, responsabilidade, ética, diálogo e construção coletiva.

Vale um pouco de história: "Carlos Moser seria indicado para concorrer à presidência do MTG na eleição anterior, mas abriu mão para o atual presidente, com o acordo de ser apoiado na próxima eleição seguindo os mesmos preceitos."

quinta-feira, 11 de junho de 2026

Dom Segundo Sombra e Martín Fierro: duas visões do gaúcho dos pampas

     A literatura gauchesca argentina encontrou em El Gaucho Martín Fierro, de José Hernández, e em Don Segundo Sombra, de Ricardo Güiraldes, suas duas maiores expressões. Ambas as obras têm como centro o gaúcho dos pampas, personagem histórico que representa o homem do campo, ligado ao cavalo, à liberdade, ao trabalho rural e aos valores de coragem e lealdade.

    Entretanto, apesar de tratarem do mesmo universo cultural, foram escritas em momentos diferentes e apresentam imagens quase opostas do gaúcho. Uma nasce como denúncia social e resistência, enquanto a outra surge como memória e idealização de um modo de vida que estava desaparecendo.

'Soe gaucho, y entiéndanló
Como mi lengua lo esplica:
para mi la tierra es chica
y pudiera ser mayor;
ni la víbora me pica
ni quema mi frente el sol'.

'Nací como nace el peje
en el fundo de la mar:
naides puede quitar aquello que
Dios me dió:
lo que al mundo truje yo
del mundo lo he de llevar'.

Martín Fierro: o gaúcho perseguido e rebelde


    Publicado em 1872, o poema Martín Fierro apresenta um gaúcho que sofre com as injustiças das autoridades e com as políticas que buscavam controlar e afastar os homens livres dos campos.

    O personagem Martín Fierro é arrancado de sua vida simples, levado para servir nas fronteiras militares e abandonado pelo poder público. Ao retornar, encontra sua família perdida e sua antiga vida destruída. Revoltado, transforma-se em um homem em conflito com a sociedade organizada.

    A obra de José Hernández é uma crítica aos abusos cometidos contra o gaúcho. O protagonista não é apresentado apenas como um homem violento, mas como alguém que reage diante de uma realidade injusta. Ele representa o indivíduo que perde seu espaço em uma sociedade que se moderniza rapidamente.

Dom Segundo Sombra: o gaúcho como mestre e símbolo

    Publicado em 1926, o romance Dom Segundo Sombra surge em outro contexto histórico. O mundo dos antigos gaúchos já estava desaparecendo diante da modernização das estâncias, das novas formas de trabalho e da transformação dos campos.

    Ricardo Güiraldes apresenta Dom Segundo como uma figura quase lendária: um homem experiente, silencioso, habilidoso e conhecedor dos segredos da vida campeira - o legítimo Vaqueano.

    Ao contrário de Martín Fierro, ele não está em guerra contra a sociedade. Ele trabalha, conduz tropas, ensina valores e transmite conhecimentos ao jovem narrador da história. O gaúcho aqui aparece como símbolo de equilíbrio, honra e sabedoria.

    A obra tem uma visão mais nostálgica: não procura denunciar uma injustiça, mas preservar a memória de um tipo humano que estava desaparecendo.

    A linguagem utilizada reforça essa ideia: é uma escrita baseada na fala popular campesina, com ritmo de canto, versos e expressões próprias do homem rural.


Duas épocas, dois gaúchos

    A diferença fundamental entre as obras está no momento histórico em que cada uma foi criada.

    Martín Fierro pertence ao período em que o gaúcho ainda lutava para sobreviver diante da expansão do Estado e das mudanças políticas. É o gaúcho como figura de resistência.

    Já Dom Segundo Sombra aparece quando esse mundo começa a desaparecer. É o gaúcho transformado em símbolo cultural, lembrado com admiração e saudade.

    Assim, podemos dizer que Martín Fierro representa o grito do gaúcho diante da injustiça, enquanto Dom Segundo Sombra representa o silêncio sábio do gaúcho que deixa um legado.

    As duas obras, juntas, formam um retrato completo do homem dos pampas: o gaúcho que enfrentou conflitos e o gaúcho que permaneceu como memória, tradição e identidade cultural.

quarta-feira, 10 de junho de 2026

Palestra destacou a importância do chimarrão, para o grupo mirim do CTG Gildo de Freitas.

     Na fria noite de 9 de junho, o Grupo de Danças Mirim do CTG Gildo de Freitas participou de uma palestra especial sobre o chimarrão e sua importância para a cultura do Rio Grande do Sul. 

    A atividade proporcionou à meninada um momento de aprendizado, reflexão e valorização de uma das maiores tradições do povo gaúcho.

    Durante o encontro, foram abordadas as origens da erva-mate, a história do chimarrão entre os povos indígenas e sua incorporação ao cotidiano dos gaúchos, tornando-se um dos principais símbolos de identidade cultural do Estado. Também foram destacados aspectos relacionados à roda de chimarrão, ao espírito de amizade, respeito e integração que a bebida representa. 

   A palestra despertou grande interesse entre os integrantes do grupo mirim, que participaram ativamente com perguntas e relatos de experiências vividas em suas famílias. A atividade reforçou a importância de transmitir os conhecimentos e costumes gaúchos às novas gerações, garantindo que a cultura tradicionalista continue viva e fortalecida.

segunda-feira, 1 de junho de 2026

Definida a canção tema dos Festejos Farroupilhas 2026


 “Patrimônio dessa terra” é o título da música que vai embalar os Festejos deste ano. De autoria de Flávia Nogueira, primeira mulher a vencer o concurso desde que foi implementado, em 2005, a composição foi escolhida na quinta-feira (28/5) pela Comissão Estadual que organiza as festividades.

    Alinhada ao tema dos Festejos deste ano – “Herança Jesuítica e Guarani no Rio Grande do Sul: 400 anos de cultura e tradição” –, a canção é um chamamé que propõe a valorização dos povos indígenas, reconhecendo a importância de sua contribuição para a formação da identidade do gaúcho e ampliando o olhar sobre os elementos constitutivos da cultura sul-rio-grandense.

    A chamada pública para a escolha da música recebeu 17 composições inscritas, provenientes de diversas regiões do RS.

    Para conferir a letra e o áudio da música (interpretada por Leandro Berlesi), acesse a página dos Festejos Farroupilhas em cultura.rs.gov.br

📸 1: Flávia Nogueira (Deivis Bueno) / 2: Reunião da Comissão Estadual dos Festejos Farroupilhas na qual a canção tema foi escolhida (Solange Brum/Ascom Sedac)